Bilionário, Jeff Bezos vai ao espaço e 780 milhões de pessoas passam fome na Terra

Jeff Bezos diz ter escolhido este 20 de janeiro pelo simbolismo da data. Há 52 anos, o homem pisou na lua e pode observar a própria insignificância diante do Universo. Do espaço, Bezos talvez perceba a própria falta de empatia diante daqueles com que divide o planeta Terra


A pandemia da Covid-19, que há mais de um ano e meio atinge o planeta, expôs uma das faces mais sórdidas da humanidade: a desigualdade social decorrente da falta de empatia dos seres que vivem no topo da pirâmide.

Nesta terça-feira (20), quando Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, dono de uma fortuna estimada em US$ 188 bilhões, decolar para fazer turismo no espaço, cerca de 780 milhões de pessoas que vivem com menos de US$ 1,90 por dia estarão buscando algum tipo de alimento para não passarem fome na Terra.

Enquanto milhões de pessoas foram jogadas nas valas da fome e da pobreza extrema, o mercado de produtos de luxo teve aumento de mais de 90% em todo o mundo, impulsionado pelos ricaços que se blindaram em suas mansões e iates por causa das fronteiras fechadas na pandemia.

Símbolo histórico da desigualdade, o Brasil segue sendo um dos poucos oásis no mundo para as lojas de grife internacional, que se aliam à lavagem cerebral de uma indústria do marketing sem escrúpulos.

Em plena pandemia, no ano de 2020, os milionários do país gastaram cerca de R$ 25,4 bilhões com carros de centenas de milhares de reais, roupas, sapatos, bebidas, cosméticos e artigos de luxo. A projeção é que até 2025 o mercado que vende aos ricaços brasileiros cresça 34%, segundo a Euromonitor.

A OIT estima que trabalhadores do mundo perderam o equivalente a 255 milhões de empregos em tempo integral em 2020, tornando o impacto econômico da pandemia muito maior que os choques causados pela crise financeira de 2009.

Os números projetam para um futuro ainda mais nebuloso e desumano. Caso não sejam tomadas medidas para melhorar a saúde e a educação até 2030, cerca de 167 milhões de crianças vão viver na pobreza extrema, segundo a ONU.

Bezos diz ter escolhido este 20 de julho de 2021 para viajar ao espaço pelo simbolismo da data. Há 52 anos, o homem pisa pela primeira vez na lua.

De lá, Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins puderam perceber a fragilidade do planeta e a insignificância do ser humano diante do universo.

Ao olhar a Terra de sua espaçonave particular, Bezos terá a oportunidade de observar a própria insgnificância e, talvez, perceber a falta de empatia em acumular riqueza em um planeta onde milhões iguais a ele morrem pela falta de empatia.


Por Plinio Teodoro

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