O Dia das Crianças na Favela



“Mamãe, hoje é o Dia da Criança,
Cadê o meu brinquedo?”
A mãe olha pra para o filho e diz:
“O governo mandou a policia e o exercito,
Como presente especial!”
A criança cresce com medo,
De viver debaixo das balas,
Tendo como destino
Entrar para o mundo do mau? 

Mas chega uma época do ano
Que tudo de mal vira belo,
As comunidades passam a ser;
Verde, Azul e Amarelo,
Tornando-se para a elite
O fruto, ou produtoras do carnaval,
Gerando mídia pra Rede Globo,
Que trata a criança como bôbo,
Sem corte e sem reinado. 

As fronteiras mais parecem
Com banheiro de motel,
Isso, na cena das novas na TV,
Mas na prática o que se vê,
É entrada de armas e drogas,
Depois vêm os doutores do governo
Jogar a polícia e o exercito na favela
Em pleno dia da criança,
Que mesmo assistindo a TV
Nunca teve esperança. 

A TV pede para fazer o bem,
Mas no Dia, ou fora do Dia das Crianças,
Essa tal de esperança não aparece na favela,
Não mostra a origem da forme e da misera.
O menino que nasceu nela,
Mesmo não sendo bandido,
É tratado pelo governo,
E parte da grande imprensa nacional,
Como se fosse um Tele-tonto?

Lembro do meu tempo de criança,
Nas extinta Favela da Cachoeira.
Da policia levava carreira com medo de levar bala,
Mas recebia “bala”, carrinhos e pipoca
De gentes e entidades filantrópicas,
Que traziam para brinquedo e esperança
Quando andava no centro via na loja o brinquedo,
Na favela apena o medo de crescer para sobreviver
Enganado sem o Dia das Crianças.
Meus brinquedos eram artesanais,
Carro, pião, ‘patinete’, pipa,
Espada feita de madeira, bola de gude,
Ou quando achava nos lixos.
No corpo só tinha grude
Pois água encanada não tinha.
Depois socializaram a favela,
Mas o Dia da Criança, era mera utopia,
Sem brinquedo, sem esperança.

Não vou mais falar nada sobre o Dia das Crianças,
Pois não tive essa esperança
Guardadas em minhas lembranças.
Só em lembrar, me parte o coração,
Pois quem nasce na favela
E com a miséria caminha lado, a lado,
Torna-se um revoltado contra a elite dominante
Que favorece os comercio e o grande capital,
Deixando lá na favela a criança passando mal.

Vou parando por aqui,
Porque o Dia das Crianças,
Para quem não tem esperança
Só é bonito na TV.
Na prática o que se ver,
São casebres em plenas ladeiras.
Faltando o pão sobre a mesa
Do filho do favelado.
Enquanto isso o Estado, diz:
“Todos são iguais perante a lei!”



Autor: Martins da Cachoeira

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