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Temer se salva, mas constata que governo tem votos abaixo do necessário para aprovar “reformas”

Por Jorge Serrão



Os 277 votos a favor da continuidade do processo contra Michel Temer indicam que o governo terá muita dificuldade para aprovar as tais “reformas” vendidas como essenciais para a retomada econômica. Não convence a comemoração com uma “vitória” supostamente folgada por 263 votos (91 a mais que os 172 necessários para salvar Temer de ser processado por corrupção no Supremo Tribunal Federal). A previsão realista é que será complicado juntar o mínimo de 308 votos para aprovar a polêmica mexida previdenciária.

Temer respira aliviado porque se livrou do afastamento por 180 dias, caso tivesse passado a autorização legislativa para ser processado. Ele também comemorou que não houve grandes manifestações de rua pressionando por sua saída do Palácio do Planalto. No entanto, o Presidente sabe que o papo de “página virada na crise política” é uma retórica enganosa que mal serve para marketagem. Até deixar o cargo em setembro, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pretende oferecer novas “flechadas” contra Temer. Estrategistas temerários apostam que o resultado será o mesmo de ontem... Será mesmo?

O governo só não fica constrangido com a situação porque é formado por uma maioria de caras-de-pau (que parecem reinar em um mundo desencantado pelo clientelismo e pela corrupção). A turma do Palácio do Planalto finge que não teme “flechadas” janotianas. Mas o time temerário ainda se preocupa com o risco de a persistente crise de politicagem atrapalhar o fechamento de grandes negócios que interessam ao PMDB e seus pouco confiáveis aliados (ou comparsas, dependendo do caso). A proximidade do ano eleitoral de 2018 só complica e potencializa os problemas.

Coisa boa foi assistir, em horário nobre da televisão, o constrangimento de muitos que tiveram de votar pela salvação de Michel Temer. Diferentemente daquela votação que tirou a Dilma, os parlamentares da base aliada não mandaram beijinhos e abraços para familiares e correligionários. Envergonhados, muitos alegaram que votavam a favor da retomada econômica. Uns até vieram com a conversa fiada de que Temer merecia ficar, pois será julgado assim que deixar o governo, no final de 2018... Mais patética foi a guerra entre situação e (suposta) oposição no plenário. A baixaria expôs a desqualificação da maioria dos parlamentares.    

O previsível desfecho que salvou Temer (sabe-se lá a qual custo?) apenas confirmou que é urgente mudar a estrutura estatal brasileira, com a sociedade controlando o Estado e não sendo meramente controlada por ele. Felizmente, a “ficadinha” de Temer, o desespero da falsa oposição, o agravamento de problemas gerados pela longa crise econômica e o descontrole da violência vão acelerar o desejo por mudança, em meio a uma Guerra Híbrida, de 5ª Geração...





Fonte: Alerta Total

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