Maquiadores de obras públicas


Deborah Secco me enganou. Hoje, li apressado um tuíte dela em homenagem ao rapaz que faz a sua maquiagem e deduzi – pela forma como ela escreveu – que hoje seria o Dia do Maquiador. Não é. Deve ser o dia (de aniversário) do maquiador da atriz. Porque o Dia do Maquiador mesmo é 13 de outubro, segundo ensina o Professor Google.

Se é em outubro, mês de eleição, deve ser por homenagem extensiva aos políticos detentores de mandato, particularmente os que conseguiram – pagando caro – aparecer tão bem maquiados perante o eleitorado que acabaram conquistando nas urnas o direito de maquiarem seus mandatos. Se eleitos para cargos executivos, então, tornam-se especialistas no ofício. De maquiar obras, principalmente.

Vejam só o caso da Paraíba de agora, por exemplo. Prestem atenção em algumas estradas que receberam asfalto ou foram recapeadas recentemente. Tem de monte no interior, dizem-me. Parece até que foram pintadas com rímel barato, do tipo que borra com lágrima, argueiro ou escorre na primeira chuva, quer dizer, na primeira lavada. Nem precisam de demaquilante.

É o que aconteceria, por exemplo, com a PB-030, que liga Pedras de Fogo à BR 230. Inaugurado há pouco mais de um ano, segundo o comunicador Maurílio Batista o asfalto da estrada não resistiu a uma boa invernada. Devem ter esquecido de passar o pó compacto, tal e qual aconteceu com o binário da Avenida Cruz das Armas, em João Pessoa, que precisaria de uma camada bem grossa de rouge ou blush pra esconder os buracos.

Mas o importante, na cabeça desses maquiadores, é saber aplicar bem uma base chamada propaganda, que opera uma transformação fabulosa em construções meia boca, mal-amanhadas, mas que custam uma baba ao cliente do salão que paga toda essa conta, muitas vezes sem se dar conta do quanto paga.

Mas essa maquiadora que atende pelo nome de máquina publicitária governamental faz a bilontra parecer tão vistosa, tão pintosa, que os bestas acreditam estar diante da coisa mais bonita que seus olhos já viram, como dizia a canção de antigamente. E tem uma parte curiosa nessa história: muitos não conseguem enxergar o batom na pintura, mesmo aquele de tonalidade vermelho escândalo.

A não ser, vez por outra, quando alguém é pego com a boca na botija, leva uma prensa – ou cana – e entrega porque a obra é tão ruim e cara. Depois disso, é só mandar o obreiro arriar as calças que o batom aparece rapidinho. Lá, bem visível, na cueca do esperto.



Blog do Rubão

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