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Cinco professores são agredidos por dia dentro de escolas em São Paulo



Casos de agressão sofridas por professores, diretores e funcionários de escolas do Estado de São Paulo dentro da instituição de ensino, não são isolados. Entre outubro de 2013, início dos registros do tipo no ROE (Registro de Ocorrências Escolares) — ferramenta que consolida as informações a partir de dados fornecidos pelas mais de 5.000 escolas da rede estadual — e 2016, foram registrados 5.845 casos de agressão física ou verbal nas escolas do Estado.

Entre outubro e dezembro de 2013, foram 178 agressões. Em 2014 foram 1.883 casos. No ano seguinte, o número subiu para 1.962 e, em 2016, houve queda para 1.822.  Levando em consideração os três anos completos (2014, 2015 e 2016), foram 5.667 registros, o equivalente a 5,1 casos por dia.

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo informou, em nota, que, “em caso de agressões a professores, medidas educativas e restaurativas são trabalhadas com os alunos e os pais/responsáveis são chamados”. Também informou que, em 2016, houve uma redução de 7% no número registros de ocorrência escolar em relação a 2015

A professora Maria (nome fictício) foi uma das vítimas de agressão em sala. A professora ficou com várias escoriações pelo corpo e, desde o ocorrido, no início do ano, faz acompanhamento psiquiátrico. Não toma mais remédio e retomou a rotina de mais de duas décadas de profissão após 40 dias de afastamento.

Maria, com 25 anos de profissão e após agressão, passou a tremer, suar, não se sentir bem e quase desmaiar sempre que entra em uma sala de aula, diz que sentia mal-estar. Ela ficou abalada e fragilizada.

“Procuro não lembrar, porque, se paro para pensar, não saio de casa. E a escola é um lugar que eu gosto muito, então é melhor [enfrentar] do que ficar em casa pensando porcaria”.

O aluno que a agrediu foi transferido para outro colégio. Segundo ela, antes da agressão, o jovem apresentava problemas de comportamento e a mãe já havia sido chamada pela direção para conversar mais de uma vez. Neste dia, a conversa terminou com as agressões dentro da escola.

E essa não é uma realidade restrita a São Paulo. Uma pesquisa internacional feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 2014, revelou que 12,5% dos professores ouvidos no Brasil se disseram vítimas de agressões de alunos ao menos uma vez por semana.

O levantamento ouviu mais de 100 mil professores e diretores de escolas de 34 países e coloca o Brasil no topo da lista de violência escolar. Depois do Brasil, aparece a Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%. Há países como Coreia do Sul, Malásia e Romênia onde o índice é zero.

Nota oficial da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo

“Em caso de agressões a professores, medidas educativas e restaurativas são trabalhadas com os alunos e os pais/responsáveis são chamados. Dependendo do caso, o Conselho Tutelar e o Conselho de Escola, formado por professores, pais, alunos, funcionários e comunidade também são convocados. A Secretaria da Educação acredita que quanto maior a participação dos pais e responsáveis, menos casos de conflito podem acontecer. É importante destacar que houve redução de 7,13% no número de registros de ocorrência escolar no comparativo de 2015 com 2016. A rede estadual de ensino conta com a figura do professor-mediador, profissional especialista na solução de conflitos e no trabalho de ações socioeducativas. Hoje, são mais 3.200 profissionais atuando neste sentido. Além disso, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo entende que o enfrentamento à violência em suas unidades de ensino deve ocorrer em diversas frentes, que englobam também comunidade escolar, famílias e a polícia. Para isso, desenvolve, desde 2009, em todas as escolas, o Sistema de Proteção Escolar, programa que orienta as equipes gestoras e apoia professores e alunos envolvidos em situações dessa natureza. O programa Escola da Família, que abre a porta das escolas estaduais aos finais de semana para a comunidade, ainda trabalha para combater situações de vulnerabilidade, justamente porque a Pasta acredita que a participação da sociedade e dos pais e responsáveis é peça-chave para que se evite problemas dentro dos muros das escolas.”

Os dados foram obtidos pelo R7 via Lei de Acesso à Informação.

Da Redação com R7

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