Adutora inaugurada pelo governo também atrasa água para Campina



A adutora de Coxixola, recém-inaugurada pelo Governo do Estado, está captando água da transposição do Rio São Francisco. Segundo o Professor Francisco Sarmento, especialista em Recursos Hídricos, em entrevista à rádio CBN João Pessoa, essa captação diminui a vazão destinada a encher o açude Epitácio Pessoa e atrasa o fim do racionamento em Campina Grande.

Sarmento ressaltou que a nova adutora beneficia mais de 130 mil pessoas de 13 cidades do Cariri, mas a água que retira do Rio Paraíba também atrasa o fim do racionamento que castiga Campina e mais 18 municípios desde 2014.

Pofessor Doutor e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além de ex-secretário de Recursos Hídricos do Estado e membro da equipe que formatou o projeto de transposição do São Francisco no governo Lula, Sarmento também falou dos aterramentos feitos em algumas comunidades, ao longo do Rio Paraíba, primeiro a receber as águas do Eixo Leste da Transposição, a partir de Monteiro.

“De fato, a água dessa adutora só pode ser da transposição, porque, segundo o governador falou à imprensa, a adutora capta no leito do Rio Paraíba, que, sem a transposição nesta época do ano estaria completamente seco”, disse.

Sarmento diz que parece haver um certo conflito entre os governos estadual e federal, em relação ao uso das águas transpostas.

“É como se o Ministério acusasse indiretamente o Governo do Estado de uso ilegal da água, mesmo que o gerenciamento da água do leito do rio seja da Aesa (Agência Executiva de Gestão das Águas), que deve ter concedido a outorga para o governo tirar água”, disse.

Poções e Camalaú excluídos

Francisco Sarmento afirma que a retirada de água da transposição pela adutora deve ser um processo legal, pois a Aesa tem o poder de outorga no leito do rio. Contudo, tal decisão seria um paradoxo quando comparada com uma outra, da mesma agência, que tirou do caminho as barragens de Poções e Camalaú. Esses açudes não puderam encher e a água passou direto para apressar a chegada a Boqueirão e o fim do racionamento em Campina e região.

“Foram tiradas da rota da transposição as barragens de Poções e Camalaú. Foi feito um canal emergencial ao lado para evitar que a barragem enchesse e a água ficasse represada, tudo para acelerar a chegada a Boqueirão. Ao mesmo tempo, agora, promove-se a retirada de água através de sistemas adutores, ao longo da calha do rio. Esse é o paradoxo”, explicou Sarmento.

Aterramentos são represas

Ele também falou dos aterramentos em alguns trechos próximos a comunidades ribeirinhas. A Polícia Civil concluiu que eram passagens molhadas para tirar comunidades do isolamento, mas o professor ensina que não são passagens molhadas, pois estas são construídas com pedras e vertem água e as que foram feitas são de terra.

“Tudo o que represar é um lago de águas que deveriam ter corrido para o Boqueirão para apressar o fim do racionamento. São pequenas barragens. Tudo o que ela represar vai atrasar a chegada da água”, afirmou.






Da Redação com Rubão

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