Ricardo Coutinho dá as cartas e isola a vice-governadora


Os adversários de Ricardo Coutinho costumam apregoar que, politicamente, ele não dá nem sombra nem encosto.

Essa máxima teve um reforço com a entrevista que ele concedeu à TV Master, de João Pessoa.

O governador revelou na ocasião a intenção de cumprir integralmente o seu mandato, o que significa não concorrer ao Senado no ano que vem.

Representa, igualmente, trancar as portas para a possibilidade de sua vice, Lígia Feliciano, desfrutar da cadeira principal do Palácio da Redenção por oito meses e, eventualmente, disputar a reeleição no exercício pleno do cargo.

Ao fundamentar a sua decisão, Ricardo foi de uma sinceridade extrema: “Eu me dava o direito de poder achar que deveria coordenar, controlar eleitoral e administrativamente esse processo até o dia 31 dezembro. E só sairia se tivesse esse controle”.

No linguajar mais acessível ao frequentador do ´Ponto de Cem Réis´, na Capital, ou do ´Calçadão´ de Campina Grande, o socialista disse que só se desincompatibilizaria do cargo se esse gesto fosse conjugado com similar iniciativa de sua companheira de governo.

Mas é possível avançar na tradução: Ricardo não admite ou não confia deixar o governo e transcorrer o processo eleitoral sem o controle da máquina estatal, mesmo que esse controle esteja com a sua vice.

“Não dependo de cargo para sobreviver”, sublinhou.

Mas não se acuse o governador de deslealdade em termos de publicização de sua decisão.

Há cerca de 10 dias, RC teve um encontro com Lígia, o seu esposo e deputado Damião Feliciano e um filho do casal, para colocá-los a par de sua posição.

Indagado sobre quem deverá ser o candidato ao governo, nesse cenário de sua permanência no Executivo, RC respondeu que “vai sair gente que vai ter capacidade de fazer mais do que eu”.

Com o diferencial de quem mantem uma convivência próxima e regular com o governador, o seu líder na ALPB, deputado Hervázio Bezerra (PSB), interpretou que “todas as direções apontam” para João Azevedo (secretário de Infraestrutura do Estado) como o candidato socialista a governador”.

Caso Hervázio avançasse que João também é a alternativa mais vigorosa para exercer o ´mandato-tampão´ que Ricardo cobra dos ´Feliciano´ para disputar as eleições de 2018, certamente até a oposição daria eco ao seu palpite.

Ao anunciar tão precocemente ´à cidade e ao mundo´ – como se diz em Roma – que fez a opção de ficar no governo, Ricardo Coutinho semeia a desconfiança na oposição quanto a uma estratégia ainda não perceptível, mas igualmente joga a vice-governadora contra a parede, objeto daqui por diante de constante e crescente pressão da base aliada.

Passados alguns dias da conversa com RC, a reação da vice e de seu esposo é de silêncio, devido à surpresa do comunicado ou à falta de convicção na posição a ser tomada ou na mudança de curso a ser empreendida.

O fato é que, inevitavelmente, a convivência entre o governador e sua vice mudará de tom, de intensidade e de perspectiva.

No máximo, se permitirão o indigesto exercício de manter as aparências.

O lendário ex-senador baiano Antonio Carlos Magalhães dizia que “a ocasião faz o aliado”.

E isso ficou latente (e agora patente) na escolha de Lígia em 2014 para a vaga de vice.

 





Fonte: Paraibaonline, com Coluna Aparte de Arimatea Souza.




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