Governo Ricardo Coutinho contrata, via PBGás, escritório delatado na Lava Jato pela JBS


O governador Ricardo Coutinho, ou não teme, ou não acredita no trabalho da Operação Lava Jato. Pelo menos a julgar pela mais recente decisão do seu Governo de contratar, através da PBGás, um escritório de advocacia que foi delatado na Operação. Os contratos superam meio milhão de reais. Somados, R$ 580 mil. Trata-se do escritório Erick Pereira Advogados, que tem sede no Rio Grande do Norte.

O detalhe é que, na denúncia veiculada há poucos dias pela Revista Época (https://goo.gl/6KG7Cz), o escritório é acusado de passar notas frias para lavar dinheiro da… JBS, do Joesley e Wesley Batista, que confessaram, em delação premiada, terem comandado um esquema de propina a políticos de todo o País, inclusive o presidente Temer.

Segundo a Época, “acusado de passar notas frias à JBS para lavar dinheiro da empresa repassado a políticos, o escritório do advogado Erick Pereira se gaba de ter o ex-ministro do STF Cezar Peluso como consultor. Peluso nega. Diz ter firmado uma parceria com Pereira, já desfeita, apenas para usar instalações. Pereira é filho de Emmanuel Pereira, ministro do Tribunal Superior do Trabalho”.

A denúncia em relação ao escritório de Erick Pereira, e mais outra dezenas deles, foi feita pelo executivo Ricardo Saud, em delação à Procuradoria-Geral da República. Saud revelou, em maio: “Nós vamos ter tratado com mais de 100 escritórios de advocacia, todas notas falsas.” O envolvimento dos escritórios é detalhado em dezenas de páginas dos anexos da delação. (Mais em https://goo.gl/8Pvuo3).

Mesmo após a denúncia de Saud, o Governo celebrou um novo contrato com o escritório de Erick Pereira, no último dia 26 de junho, em plenos festejos juninos, no valor de R$ 200 mil para, segundo os termos, tratar de causas trabalhistas da PBPrev. O Governo RC já havia firmado um primeiro contrato, em julho de 2014 (em pleno fervor eleitoral), por R$ 380 mil. Somados, R$ 580 mil, mais de meio milhão de reais.

O detalhe é que, nem no primeiro, nem neste segundo (que ainda é tão recente), o escritório teria conseguido algum êxito junto ao Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. Como afirmou um funcionário da PBGás ao Blog: “Não ganhou uma.” O que não deixa de ser uma curiosidade extra.




Blog de Helder Moura

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