Moro condena Palocci a 12 anos de prisão por corrupção

Ex-ministro de Lula e Dilma, que negocia delação, deve continuar preso até a fase de recurso


O ex-ministro Antonio Palocci (PT) foi condenado a 12 anos, 2 meses e 20 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável por diversas ações da Operação Lava Jato em primeira instância. A sentença foi tornada pública nesta segunda-feira 26.

Além de Palocci, foram condenados por corrupção passiva o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, os ex-funcionários da Petrobras Eduardo Costa Vaz Musa e Renato de Souza Duque e o ex-presidente da Sete Brasil José Carlos de Medeiros Ferraz. Ferraz e Musa assinaram acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal, o que Duque também deve fazer.

O herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, foi condenado por corrupção ativa. Ele também é delator.

Os marqueteiros do PT João Santana e Mônica Moura, além de Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, Fernando Migliaccio da Silva, Luiz Eduardo da Rocha Soares, Olívio Rodrigues Júnior e Marcelo Rodrigues, foram condenados por lavagem de dinheiro.

O ex-assessor de Palocci Branislav Kontic foi absolvido por Moro dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O magistrado considerou que não havia provas suficientes de autoria ou participação nos crimes.

Também foi absolvido o ex-executivo da Odebrecht Rogério Santos de Araújo.

Delação premiada

Palocci é acusado de gerenciar uma conta de propina reservada pela Odebrecht ao PT. O ex-ministro tenta cacifar a própria delação premiada e ameaça enredar graúdos do mercado financeiro, do Judiciário, da mídia, em aparente procura pela melhor oferta por sua fala ou por seu silêncio.

Preso desde setembro de 2016, o petista prestou um depoimento a Moro de duas horas em abril deste ano, no qual ofereceu um aperitivo. “Nunca pedi ou operei caixa 2, mas ouvi dizer que isso existiu em todas as campanhas, isso é um fato. Fico à sua disposição porque todos os nomes e situações que optei por não falar aqui por sensibilidade da informação estão à sua disposição.”

O advogado José Roberto Batochio, um dos principais criminalistas do País, abandonou a defesa do ex-ministro ao tomar conhecimento de sua intenção de delatar. Sempre foi um crítico ferrenho do instituto da colaboração premiada. Palocci já contratou um novo time especializado em firmar esse tipo de acordo, e não perdeu a chance de tentar seduzir Moro. Cordato do início ao fim, elogiou diversas vezes a atuação do juiz. “Acredito que posso dar um caminho, que talvez vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, acenou.




Fone: Carta Capital



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