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Faltou pouco para cúpula da Segurança culpar jovem pela própria morte no Parque do Povo


Mais um pouco e o jovem Davson Barbosa (foto), assassinado na noite de ontem (18) no Parque do Povo, em Campina Grande, seria culpado pela própria morte a golpes de faca ou de punhal no pescoço.

Golpes desferidos por suposto membro de um pretenso bando de ladrões que teria abordado Davson e um amigo dentro de um banheiro localizado por trás da Pirâmide do espaço que sedia ‘O Maior São João do Mundo’.

Depois da tragédia e sua repercussão, o que se viu foi um festival de auto-isenção patrocinado e protagonizado pelas maiores autoridades daquilo que em passado recente paraibanos chamavam de segurança pública.

Abrindo o espetáculo ‘tirando da reta’, o secretário de Estado Cláudio Lima (Defesa Social?) lembrou que o controle de acesso ao Parque do Povo não é feito pela Polícia, seja ela Militar ou Civil.

Referiu-se, claro, à entrada de arma branca no recinto sem que o tal ‘controle de acesso’ tenha funcionado. Controle esse feito por empresa de vigilância particular, em tese incapaz de detectar o metal da faca ou punhal assassino.

Se o controle foi insuficiente, é de se perguntar se o policiamento à disposição de uma noite com show de Wesley Safadão também o foi. Pelo visto, não. Conforme admitiu o próprio comandante da PM em Campina.

Segundo publicou o portal Paraíba Online, o coronel Almeida Martins, chefe do Comando de Policiamento Regional I (CPR1), reconheceu “que o efetivo ontem talvez tenha sido menor, em comparação com o público presente na festa”.

De qualquer modo, a afirmação do oficial não serve para seu ninguém condenar a Polícia pela desgraça que enlutou a família de Davson. Mas também não serve para qualquer um, autoridade ou não, afirmar que o policiamento estava adequado ao tamanho da festa.

Apenas esse detalhe bastaria para algum reconhecimento de que presença mais numerosa, mais ostensiva e mais cuidadosa de policiais no Parque do Povo poderia pelo menos inibir ataques como aquele que matou o cidadão.

Em vez disso, parecendo sempre mais preocupado em preservar ou fazer imagem de governo, em resposta a possíveis críticas o comandante-geral da PM, coronel Euller Chaves, lembra que a força pública não é onisciente nem onipresente e conclui, rápida e aprioristicamente, que a culpa pela morte de Davson pode ter sido de uma briga dentro de banheiro ou, em última instância, do “ser humano”.

Não há evidências nem informações de que o assassinato decorreu de briga dentro de banheiro. Afinal, sequer o inquérito policial aberto para apurar o fato chegou em tão curto espaço de tempo a qualquer conclusão.

No mais, desse jeito e diante de tanta obviedade para afastar qualquer responsabilidade de Estado diante da perda brutal de uma vida humana, não se admirem se concluírem que o ser humano culpado por tamanha violência atendia pelo nome de Davson Barbosa.




Blog do Rubens Nobrega, JP



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