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Cartaxo está fora do jogo


Já afirmei neste espaço que o prefeito Luciano Cartaxo (foto), de João Pessoa, era a única liderança capaz de, em situação normal, derrotar o governador Ricardo Coutinho em 2018. A candidatura de Cartaxo encerraria a polarização que marcou as duas últimas eleições na Paraíba e que se caracterizou pela oposição entre candidatos de perfis muito distintos.

Ricardo Coutinho foi visto como representante de uma “nova política”. Representava (e continua a representar) a emergência dos novos sujeitos sociais, de trabalhadores organizados e das classes médias urbanas de um Nordeste que se modernizou. José Maranhão e Cássio Cunha Lima eram, por outro lado, a expressão mais legítima do que se convencionou chamar de “velha política”, duas lideranças de dimensão estadual ainda remanescentes do familismo. Cartaxo, não. Ele tem origem e trajetória semelhante à de Ricardo.

Por outro lado, sempre levantei muitas dúvidas a respeito da candidatura de Cartaxo ao governo. Não por falta de vontade e condições, mas pelo perfil pouco ousado, em razão do excesso de pragmatismo político. Pode-se dizer que essa ousadia teve RC em 2010, quando deixou a PMJP para se candidatar ao governo. Apesar de contar com um vice, à época de sua estrita confiança, não deve ter sido uma decisão muito confortável para RC deixar uma prefeitura da importância da de João Pessoa para enfrentar uma disputa contra um político da tradição de José Maranhão sentado na cadeira de governador.

Foi uma aventura de risco calculado, entretanto. A Paraíba era o último bastião do tradicionalismo político no Nordeste, um estado que não tinha vivido ainda a derrota de suas lideranças tradicionais para as lideranças originárias dos grandes centros, em geral com um perfil mais à esquerda. Ricardo acreditou em sua análise, na estratégia de confrontar o “velho” e essa renovação chegou à Paraíba.

A estratégia de Cartaxo passa por “blocar” essas duas lideranças (Cássio e Maranhão) em torno de sua candidatura e apostar que essa junção se desdobre numa aliança “geopolítica” entre João Pessoa e Campina, como aconteceu em 2010 com RC, para compensar o peso da máquina estadual nas cidades menores.

O problema dessa estratégia é que o peso eleitoral de Cássio e Maranhão já não é mais o mesmo. Pelo contrário, os dois experimentam um lento eclipse como lideranças estaduais, o que torna muito duvidosa essa estratégia cartaxista.

Se as quatro últimas eleições foram decididas por margens muito pequenas, é bom lembrar que em 2014 Ricardo Coutinho foi para a disputa quase isolado, contando, todos lembram, com o apoio de apenas seis deputados estaduais na Assembleia Legislativa, o que não apenas reforçou como consolidou a liderança de Ricardo.

De lá para cá, não apenas o governo e o modelo de administração se consolidaram, amadureceram, como Ricardo Coutinho construiu uma base política muito mais sólida.

Em termos estritamente de análise, a projeção de uma disputa estadual muito acirrada no próximo ano, como foram as últimas, não há como concluir pela imprevisibilidade do resultado.

Diante de um quadro desses, como imaginar que Luciano Cartaxo deixará a PMJP, deixando em seu lugar o peemedebista Manoel Jr., alguém que está longe de ser considerado da confiança de Cartaxo, que ainda teria quase três anos administrando João Pessoa?

Para dificultar ainda mais a decisão de Luciano Cartaxo, veio a público um acontecimento que torna ainda mais problemática a situação do prefeito pessoense: foi aberta uma investigação pela Polícia
Federal a respeito de superfaturamento nas obras da Lagoa do Parque Solon de Lucena, que certamente produzirão desdobramentos políticos e eleitorais. Mesmo que não atinja diretamente Cartaxo, o desgaste já é inevitável.

Enfim, é difícil imaginar um movimento mais ousado de Luciano Cartaxo que o leve a disputar o Governo da Paraíba em 2018.

Cartaxo está fora do jogo.





Fonte: Rubão - Jornal da Paraíba


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