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Dificuldades na fala: "Abracu pra curar, pra curar "abracu"


Meu saudoso pai, Djalma Avelino de Paiva, tinha dificuldade em pronunciar determinadas palavras. Ele não era de muita conversa, guardava em silencio muitos mistérios que foram com ele para o tumulo.

Para relatar dois fatos engraçados que justamente ocorreram com as dificuldades do meu velho,  em pronunciar determinadas palavras, terei que citar dois  nomes de medicamentos, um é famoso, o outro não é de renome.

O famoso faz até hoje propagandas publicitárias em emissoras de televisão, falo do remédio Apracur,  que é usado para tratar sintomas da gripe e do resfriado.

Já o outro medicamento  é uma pomada por nome Infrarub, que tem efeito analgésico, que é usada para aliviar dores em determinadas partes do corpo.

Meu velho pai chamava o remédio Apracur de "Abracu" e Infrarub de "Imbarrub".

O primeiro ocorrido se deu quando eu era criança, na antiga Favela da Cachoeira, estava  assistindo o programa Show de Calouros de Silvio Santos, onde jurados e auditório cantavam ao som da Orquestra do Maestro Zezinho o jingle do medicamento Apracur, programa exibido em 1989. Ainda lembro muito bem, o velho Djalma estava um pouco gripado, ao perceber a propaganda do Apracur, informando em forma de música, que o mesmo tratava a gripe, da seguinte forma:"Apracur pra curar, pra curar Apracur!"

Meu pai olhou pra televisão e disse: Eita, vou comprar esse remédio "Abracu" pra ver se fico bom dessa praga de gripe.  Então começou cantar da sua forma: "Abracu pra curar, pra curar Abracu!". Não aguentei ouvir ele cantar e cai na gargalhada, pois em vez de chamar Apracur, chamava "Abracu", isso de forma natural.

Outro fato ocorreu quando tinha atingido a maior idade, ainda morava na Favela da Cachoeira. Lembro que minha mãe usava pomada Infrarub para diminuir dores em uma das suas penas, pois a mesma foi vítima de atropelamento de moto por parte de um incompetente que quebrou a perna dela. Certa feita, "minha véia"  mandou meu pai comprar essa tal pomada na farmácia. Nós saímos pra trabalhar na limpeza da Feira Central (sou gari e ele era chefe de turma), e quando voltávamos do trabalho passamos em uma das farmácias, na Zona Leste de Campina Grande pra compra a dita Infrarub. Mãe sabia que pai tinha dificuldades em pronunciar o nome da pomada, por isso recortou parte da embalagem para, porque em vez de falar o nome errado, ele apresentaria ao farmacêutico o recorte de embalagem com o verdadeiro nome.

Era um belo sábado a noite. Quando chegamos na farmácia meu pai em vez de apresentar ao farmacêutico parte da embalagem da pomada, ele chegou e perguntou: "O Sr. tem Imbarrub?" O farmacêutico ficou tentando entender que medicamento seria esse tal "Imbarrub".

Ao perceber que o atendente não entendeu sua pronúncia, meu velho apresentou o recorte da embalagem, que era da pomada  Infrarub, então o farmacêutico disse: "Infrarub temos, mas essa tal de 'Imbarrub' não temos." Pai ficou meio raivoso com o atendente, mas não disse nada contra ele.

Fiquei ao seu lado sorrindo muito, porque sabia que se tratava de dificuldades em pronunciar tal nome, mas o farmacêutico não sabia, por isso ignorou.

Meu velho ficou meio invocado com meus sorrisos, é quando chegamos em casa que relatei o fato a minha mãe, foi sorriso quase que a noite toda com o "Imbarrub" do meu velho pai, que mesmo sendo um pouco caladão e não sabendo pronunciar essas palavras citadas, era um pai nota mil.

Saudades do meu velho!





Blog do Gari Martins da Cachoeira 



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