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Filho de Pablo Escobar prefere "declarar a paz às drogas do que a guerra"

"Acredito que é muito mais caro enfrentar a guerra contra as drogas através das armas do que fazê-lo através da educação"


Juan Pablo Escobar, filho do narcotraficante mais famoso da história, é a favor da legalização das drogas e acredita que a solução do problema passa mais por "se declarar a paz às drogas do que a guerra".

"Enquanto o mundo não mudar a forma de enfrentar o problema [da droga], tem que se preparar para ter mais Pablos Escobar, com uma capacidade económica e militar desmedida, que lhes permitirá desafiar qualquer democracia", disse em entrevista com a agência Lusa o filho do narcotraficante que liderou o comércio mundial de droga a partir de Medellin, na Colômbia, durante os anos 80.

"A droga é um problema de saúde pública, não é um problema militar", diz Escobar, pelo que, quem a quisesse, deveria poder encontrá-la na "farmácia".

"E [aí, na farmácia] encontraria cocaína sem vidro moído. Porque a cocaína comprada na rua apenas tem entre 25 e 30% de pureza. Com isto não quero dizer que a cocaína seja boa. Apenas quero dizer que a proibição está a contribuir para a pior qualidade da droga e para o agravamento muitíssimo mais rápido da saúde dos seres humanos", disse.

Juan Pablo Escobar acredita "no poder da educação" e diz que é aí que o problema da droga deveria ser enfrentado. "Sinto que a educação é a arma mais poderosa, que está subavaliada, e que não tem o apoio de que necessita, para que se possa educar desde cedo a juventude, ensinando-lhe os perigos e as consequências nefastas do consumo destas substâncias".

"Acredito que é muito mais caro enfrentar a guerra contra as drogas através das armas do que fazê-lo através da educação. Irá sobrar dinheiro, se o Estado assumir a responsabilidade que lhe corresponde e disser que toma as rédeas e o controlo do negócio", acrescentou em declarações à Lusa.

Uma vez que a droga esteja legalizada, "as organizações mafiosas deixarão de ter dinheiro para mandar matar seja quem for, ou para corromper seja quem for. Quem sabe se não será por causa desta última parte que não querem legalizá-la", disse o filho de Pablo Escobar, morto em dezembro de 1993 por uma unidade de operações especiais da polícia colombiana.

Escobar acredita que "aqueles que propõem o proibicionismo são os que estão mais implicados na corrupção, que permite que o negócio da droga continue a funcionar" como funciona e diz que "proibir a droga é um ato de irresponsabilidade do Estado, que diz aos delinquentes: 'façam o vosso negócio, que eu encarrego-me de perseguir-vos'".

"Proibir é grande negócio. Os narcotraficantes não se dão conta, mas são escravos dos proibicionistas. Primeiro, ajudam-nos a crescer, a serem milionários, e depois tiram-lhes tudo", disse.

Há ainda outra dimensão, porventura mais "séria", dos interesses dos Estados na manutenção da ilegalização das drogas, que Juan Pablo Escobar faz questão de denunciar e que passa pela proliferação dos crimes de Estado associados ao tráfico.

"Há muitíssimos crimes de Estado encobertos associados ao tráfico. E de muitos Estados", acusou.

"No meu novo livro revelo as ligações internacionais que o meu pai tinha com a CIA e a DEA (Departamento norte-americano de combate à droga) para o tráfico de drogas. No caso da CIA, para financiar a luta anticomunista na década de 80 e no caso da DEA - não posso dizer que toda a instituição estivesse envolvida - pelo menos alguns agentes dominavam o aeroporto internacional de Miami e cobravam ao meu pai um imposto de 3.500 dólares por cada quilograma de cocaína que deixavam entrar" nos Estados Unidos, concretizou.

"Isto mostra claramente o nível de corrupção a que chegou o negócio e o poder que tem para se infiltrar em qualquer instituição. Mostra-nos também como estão desenhadas as políticas para assegurar esse ciclo vicioso de que devemos sair e que devemos rever. Acredito mais na possibilidade de declarar a paz às drogas do que a guerra", rematou o escritor.

Juan Pablo Escobar foi reconhecido pelas Nações Unidas, que exibiram, em 2010, na celebração do Dia Internacional da Paz, o documentário por si protagonizado "Pecados de Mi Padre", mas esperava da ONU uma ação diferente da que tem assumido na resolução do problema.

"Tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas das Nações Unidas e, quando almoças com eles fora da Assembleia Geral, dizem-te que é preciso legalizar a droga. Já quando estão em frente às câmaras dizem que há que proibir", explica.

O mesmo acontece com a generalidade dos líderes no mundo, diz. "Quando estão nos seus cargos dizem que há que proibir e uma vez que os abandonam dizem que há que legalizar".

Os que tiveram a "coragem" de o fazer em tempo útil, não se deram mal, sublinha ainda Escobar, que dá o exemplo do estado norte-americano do Colorado.

"O Colorado arrecadou até agora mil milhões de dólares graças à legalização da marijuana, inclusivamente com fins recreativos. A pergunta que deixo a todos os líderes é: em que mãos querem que fiquem estes mil milhões de dólares? Nas mãos de grupos delinquentes, capazes de matar e de fazer seja o que for? Ou nas mãos dos políticos?", interrogou.

"É preciso dizer que, às vezes, é difícil distinguir uns dos outros, mas a diferença entre os delinquentes dos cartéis e os delinquentes da política é que pelo menos os da política podem ser auditados pelos cidadãos. Os dos cartéis não se deixam auditar", ironizou.

Juan Pablo Escobar, está em Lisboa para promover o seu segundo livro sobre o pai: "Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou", que acaba de ser lançado em Portugal pela editora Planeta.






Fonte: DN Mundo








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