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Delações não acabam com a corrupção



A corrupção brasileira é sistêmica, culturalmente enraizada, comandada por um sistema organizado do Crime Institucionalizado e seus mecanismos. Justamente por isto, só uma cirúrgica e profunda mudança estrutural no modelo de Estado brasileiro tem condições reais de reduzir e, praticamente, neutralizar a sacanagem hegemônica. Tal processo, que leva tempo, depende, de imediato, de uma corajosa e estratégica Intervenção Institucional. Qualquer outra medida é paliativa.

No momento, assistimos a um patético e perigoso conflito de interesses entre as diversas organizações criminosas que usurpam todos os poderes estatais e promovem a corrupção que arruína a economia, desmoraliza a política e inviabiliza qualquer chance de implantação de um regime realmente democrático no Brasil. Na guerra de todos contra todos, os bandidos institucionalizados tiram proveito da Lei para tentar salvar a própria pele (e a maior parte da grana obtida ilicitamente nas relações com a máquina estatal).

Hiper-super-bem assessorados por caríssimos advogados e juristas (incluindo aqueles que ocupam cargos no aparato estatal), os criminosos reinventam seu “jeitinho” operacional. O poder político e econômico, em parceria delituosa, descobriram como podem usar, favoravelmente a eles mesmos, o instrumento da “transação penal”. Na covarde e imoral guerra de todos contra todos, as “delações” premiadas se transformaram em meio direto para arrasar com a reputação dos “inimigos de ocasião”. A jagunçagem atinge quem for conveniente. Os criminosos institucionalizados têm a visão estratégica de quais alvos pretende atingir (inclusive mortalmente).

A Crise brasileira só tem chance de solução pela via da Intervenção Institucional com a participação ativa e direta dos segmentos esclarecidos da sociedade – a parte do povo que ainda não foi completamente contaminada pela corrupção cultural. Só este segmento, com a ajuda e protagonismo estratégico dos legítimos instrumentos de Força que sustentam uma Nação, tem legitimidade para enfrentar o Crime Organizado. Todos que usurpam o poder estatal – como as Lava-Jatos revelam – não têm legitimidade para propor soluções institucionais para o Brasil. Muito menos para indicar “líderes” que vão ocupar os cargos máximos da Nação.

Constate por que o problema não é o indivíduo, mas o poder sem controle social que tem o cargo que o corrupto ou “corrompível” ocupa. Deu ontem no UOL e hoje está na mídia: “O presidente Michel Temer teria recebido valores próximos a R$ 15 milhões em pagamentos em vantagens indevidas em 2014, de acordo com delação de Ricardo Saud, um dos delatores da JBS. A quantia teria como contrapartida atuação favorável aos interesses do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. Delatores do grupo JBS também relataram pagamentos de US$ 150 milhões em propina para os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, por meio de depósitos em contas distintas no exterior. O ex-ministro Guido Mantega atuaria como intermediário dos pagamentos. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também recebeu propina da JBS, segundo delação, em 2014. Em troca do dinheiro desembolsado, o tucano usaria o mandato para "beneficiar diretamente interesses do grupo”.

Desde ontem, o noticiário revela que líderes políticos já iniciaram as negociações para uma eventual sucessão do atual Presidente, no cenário de uma eleição indireta. Os piadistas de plantão, falando com a máxima seriedade, indicam nomes de presidenciáveis a serem eleitos pelo Congresso Nacional. Os nomes mais cotados são: Henrique Meirelles (aquele mesmo que presidiu o grupo delator J&F e até criou um Banco Original para eles), Nelson Jobim (o cara que vestiu todas as casacas da República, incluindo o uniforme de General de Exército), Fernando Henrique Cardoso (do PSDB que criou todas as bases para os companheiros petistas deitarem e rolarem em 13 anos de poder) e, para matar a gente de rir, Gilmar Mendes (supremo ministro que nem pode concorrer a uma eleição indireta, porque a Lei Complementar 64 o impede claramente).

Está na hora de pararmos de sacanagem. As pessoas comuns, aquelas diretamente prejudicadas pela corrupção institucionalizada, estão muito “PTs da vida” e à beira de perder a paciência. Já percebem que são vítimas desarmadas de criminosos de toda espécie – desde o descarado político ladrão, passando pelo refinado empresário corruptor, até o bandido pé-de-chinelo das ruas ou das ditas “facções criminosas” promotoras do terror urbano e rural, alguns até com verniz de falso discurso “revolucionário”. A novidade do momento é que os indignados se dizem dispostos a agir e reagir contra o Crime Institucionalizado. Resumindo claramente: a porrada vai comer a qualquer momento, porque os bandidos não querem largar o osso...

O povão “PT” da vida continua querendo saber: Qual é o nome do juiz e do promotor de Justiça – citados na gravação clandestina de conversa entre o empresário Joesley Batista e Michel Temer, na calada noturna do Palácio do Jaburu? Será que existem outros que agem do mesmo “jeitinho” corrupto na máquina do Judiciário? (A magistrada aposentada Eliana Calmon afirma que sim...) Quem são os ocupantes dos diversos órgãos de fiscalização da máquina estatal que se locupletam e se omitem, criminosamente, para evitar que os bandidos continuem agindo impunemente?

Enfim, estamos passando da hora da faxina institucional. Não será fácil, porque os bandidos são camaleônicos e detém o poder político, econômico e midiático, tendo também influência direta nos aparelhos repressivos estatais (que usam para assassinar reputações e permanecerem impunes). Delações são muito boas para demonstrar a corrupção. Não basta condenar alguns corruptos, seletivamente, e manter o sistema de corrupção funcionando, com chances de se reinventar.

Intervenção, Já! Ou, então, transformamos o Brasil no maior presídio a céu aberto do mundo...





Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net


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