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Cronograma da reforma trabalhista é mantido

Relator voltou atrás após suspender tramitação, diz ministro


O governo conseguiu preservar o cronograma de votação da reforma trabalhista no Senado, informou ontem o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy. O relator da proposta, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), havia suspendido a tramitação na quinta-feira, depois que foi divulgado o conteúdo da delação premiada da JBS, que comprometeu o presidente Michel Temer. No entanto, após ser procurado por interlocutores do Palácio do Planalto, o relator voltou atrás.

— Ferraço se reposicionou ontem à noite e decidiu manter o cronograma da reforma trabalhista — disse Imbassahy ao GLOBO.

Com a reforma da Previdência, no entanto, o quadro é mais delicado. O ministro admitiu que será preciso reforçar as negociações com os partidos da base, sendo que será preciso dar uma atenção especial às menores siglas, entre elas, PTN e PHS. Outras legendas, como PPS e PSB, já estavam rachadas e, portanto, nada mudou em relação ao apoio à proposta. A avaliação é que a debandada da base foi pontual, só de algumas pessoas, e que, por isso, os votos que o governo já tinha para passar o texto na Câmara não viraram pó.

Ainda segundo o ministro, há compromisso dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), em voltar a defender as reformas. Os interlocutores do Planalto acreditam que é preciso fazer uma ofensiva sobre deputados e senadores para que o cronograma da Previdência, mesmo sendo um pouco adiado, se mantenha o mais próximo possível do inicialmente planejado.

‘REFORMA É QUESTÃO DE ESTADO’
Também ontem, o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, afirmou que as discussões em torno da reforma da Previdência continuam. Diante das incertezas geradas sobre uma possível saída de Temer do cargo, Caetano garantiu:

— A reforma é uma questão de Estado, não de governo. E ela permanece na pauta — afirmou o secretário, durante palestra no Fórum Nacional, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae) na sede do BNDES, no Rio.

Perguntado se a pressão da população e do Congresso pode atrapalhar a aprovação da reforma, o secretário disse que essas questões são políticas:

— O Congresso é totalmente soberano tanto no que se refere à tramitação quanto no que permanece na reforma. Já houve um debate bastante intenso na comissão especial, a aprovação do relatório. (As manifestações da quarta-feira) São questões de natureza política que não estão ligadas à natureza previdenciária.

A continuidade das reformas tem sido apontada como fundamental pelo mercado financeiro. Em relatório sobre os impactos da crise política divulgado ontem, o Bradesco destacou que indicadores apontavam sinais de retomada do crescimento. E defendeu que agenda econômica seja mantida. “A direção da política econômica tem sido fundamental para elevar a probabilidade de estabilização e volta do crescimento do PIB”, afirmou o Bradesco. O banco descartou rever projeções para a economia brasileira agora, porque os acontecimentos são muito recentes.

O Itaú tem leitura semelhante. E avalia que há espaço para que as reformas continuem a ser discutidas. “Apesar da turbulência política, os esforços para reformas fiscais no Brasil continuam nos trilhos. Nossos cálculos mostram que o diluído texto da reforma da Seguridade Social pode ainda ser visto como um importante passo para evitar uma trajetória de mais crescimento dos gastos com Previdência”.






Geralda Doca, Letícia Fernandes e Daiane Costa | O Globo



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