Alckmin elogia operação da polícia e diz que Doria não se precipitou ao afirmar que Cracolândia acabou

Para governador, operação foi 'muito bem sucedida e planejada'. Operação na Cracolândia no domingo prendeu 52 pessoas, mas usuários de drogas se espalharam pela região da Luz.



Governador Geraldo Alckmin (esq.), acompanhado do presidente do TJSP,
Paulo Dimas Mascaretti, e do desembargador Edson Brandão
(Foto: Tahiane Stochero/G1)
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta segunda-feira (22) que a operação das polícias na Cracolândia no domingo "foi muito bem sucedida e planejada" e que o prefeito da cidade, João Doria (PSDB), não se precipitou ao afirmar que a Cracolândia acabou. "Ela vai acabar", disse o governador. "Não vai resolver o problema em 24 horas, mas vai diminuir", salientou.

Segundo o secretário de segurança Pública, Magino Alves, subiu para 52 o número de presos na operação, incluindo 10 pessoas presas em flagrante. Apesar da operação, usuários de drogas da Cracolândia se dispersaram para locais próximos à região da Luz. Durante a madrugada, eles se concentraram dentro de um posto de combustível.

Alckmin e Magino falaram com a imprensa após um evento no Fórum Criminal da Barra Funda em que houve a entrega às polícias Civil e Militar de 37 fuzis importados, avaliados em mais de R$ 2 milhões. O armamento foi apreendido com criminosos que respondiam a processos e estava guardado no Tribunal de Justiça. A doação é inédita porque, até então, as armas aprendidas tinham que ser destruídas, conforme as normas do Exército.

'Trabalho permanente'

Questionado sobre se Doria se precipitou ao dizer que a Cracolândia acabou, Alckmin negou. "Eu acho que não, a Cracolândia, ela vai acabar. É um trabalho de perseverança, não podemos dizer 'acabou, vamos embora'. É um trabalho que é permanente, aliás é uma questão crônica policial, social e de saúde pública. Agora, é importante destacar que a pessoa sendo abordada adequadamente acaba querendo o tratamento", afirmou Alckmin.

Segundo o governador, o trabalho social e de saúde aumentou na região após a operação. "Tivemos 530 pessoas abrigadas, que estavam na rua, dependentes químicas ou não. Passaram pela unidade Recomeço 120 pessoas, 30 foram internadas no Cratod. [O problema] Não vai resolver em 24 horas, mas vai diminuir. O número de pessoas que vai procurar abrigo vai aumentar, o número de pessoas que vai procurar tratamento médico vai aumentar", acrescentou.

Alckmin também informou que está em andamento o projeto para parceria público-privada para a reurbanização da região, com a construção de apartamentos populares e um hospital. "Nós precisamos trazer de volta as pessoas para morar ali", declarou

Conforme Magino Alves, nesta segunda-feira policiais permanecem no local para que a Cracolândia não reapareça. "Nós vamos continuar o trabalho de combate ao tráfico na região e em outros pontos da cidade. Temos hoje lá efetivo maior da PM. Além de 150 homens, estavam com um regimento da Cavalaria. A operação vai continuar na região sem prazo para acabar", afirmou o secretário de Segurança Pública.

Entrega de fuzis

36 fuzis calibre 5.56 e 7.62, entre eles modelos de Colt e AR-15, que estavam no Tribunal de Justiça apreendidos em operações policiais, foram doados para a Secretaria de Segurança Pública. 17 irão para a PM, em especial para a Tropa de Choque, e 20 para a Polícia Civil.

Segundo o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Paulo Dimas Mascaretti, as armas integravam processos concluídos. "Muitas estavam depositas há anos em fóruns, e nossa política é acabar com isso, porque acarretam risco às pessoas", disse. "Além de recuperadas, elas agora estão com nova numeração e destinação ", afirmou.

A partir de agora, a Secretaria de Segurança e o Exército irão receber as armas após a perícia e decidir se elas serão doadas para outros estados ou ou se serão destruídas.



Por Tahiane Stochero, G1 SP, São Paulo


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