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Guerra: EUA cogitam ação sem aval da ONU na Síria


Embaixadora diz que opção será a única se plano de paz de Annan falhar




NOVA YORK — A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, sugeriu nesta quarta-feira a possibilidade de agir contra o regime de Bashar al-Assad na Síria mesmo sem respaldo do Conselho de Segurança da ONU. A condição para tanto seria a falha do plano de paz do enviado especial Kofi Annan — já considerado pelos rebeldes como um fracasso — e o transbordamento do conflito para outros países da região.

A possibilidade, carregada com as ressalvas do linguajar diplomático, foi delineada pela diplomata como a terceira e última opção a ser tomada para tentar resolver um conflito que já se desenvolve há 14 meses e deixou mais de 10 mil mortos. A primeira seria Assad aderir ao plano de paz, retirar o armamento pesado das ruas, pôr o Exército de volta nos quartéis e iniciar diálogos políticos para uma transição.

Os recentes desenvolvimentos tornam essa hipótese, por enquanto, pouco provável. Mesmo com a presença de 250 monitores internacionais no país, relatos de mortes de civis são rotineiros. No pior episódio, no último fim de semana, mais de 100 pessoas foram mortas em Houla — sendo 49 crianças — o que levou um cônsul honorário da Síria nos EUA a anunciar ontem estar deixando o cargo para não ficar numa posição “eticamente e moralmente” inaceitável. Ontem foram descobertos 13 corpos com as mãos amarradas em Assukar.

A segunda opção citada por Rice seria o Conselho de Segurança da ONU impor sanções contra a Síria. Mas a Rússia, que tem poder de veto, rejeita a imposição dessas punições. Ontem, enquanto o Japão se tornava o décimo país a expulsar o embaixador sírio nós últimos dois dias, os russos criticaram.

Somada ao impasse nessas duas alternativas, a possibilidade de o conflito “envolver países da região, tomar formas cada vez mais sectárias, e levar a uma grande crise não só na Síria mas também na região” — cenário definido por Rice como o mais provável — deixaria uma única alternativa, na avaliação da embaixadora americana:

— Os membros deste conselho e os membros da comunidade internacional são deixados com a única opção de ter de considerar se estão preparados para adotar ações fora do plano de Annan e da autoridade deste Conselho.

A diplomata não deixou claro que tipo de ações seriam, nem se os EUA estariam dispostos a liderá-las. Nas duas grandes intervenções militares recentes sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU — o ataque à Sérvia na Guerra do Kosovo, em 1999, e a invasão do Iraque, em 2003 — os EUA estiveram na linha de frente.




POR O GLOBO / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS



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