Pai diz que menor pedia esmolas em frente a famosa lanchonete, foi espancado por segurança e gerente e morreu em SP


Jovem morto após perseguição de seguranças do Habib’s foi ameaçado, diz pai da vítima. 



O menor morreu na segunda-feira (27/02), mas em  menos de 4 dias saiu o laudo do IML (dura  sempre mais de um mês pra sair) alegando que  a morte foi por parada cardiorrespiratória, depois de ser perseguido por seguranças da rede de fast-food Habib’s, na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP).

O adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, que morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória em frente à rede de fast food Habib’s, na noite do último domingo (26/02), sofreu ameaças de seguranças da lanchonete há dois meses, de acordo com depoimento do pai do menino, Marcelo Fernandes de Carvalho, 42 anos, ao delegado Antonio Celso Berna Peduti, do 28º DP (Freguesia do Ó), na tarde desta quarta-feira (1/03).

O pai do jovem ainda disse que João Victor ia com frequência pedir dinheiro em frente à lanchonete, localizada na avenida Itaberaba, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte paulistana, mas não causava nenhum constrangimento aos clientes, pois ficava sempre do lado externo do comércio.

Marcelo informou à Polícia que foi comunicado por sua vizinha, Silvia Helena Croti, 59 anos, que também depôs, que seu filho havia sido espancado por um segurança e o gerente do Habib’s.

No depoimento de Silvia, que é catadora de material reciclável e vendedora ambulante, ela informou que por volta das 19h, quando estava vendendo balas próximo ao Habib’s, viu João Victor correndo na rua, sendo perseguido por um segurança e o gerente do estabelecimento. A corrida terminou quando o segurança agarrou o jovem pelo pescoço, estimulado pelo gerente que mandava conter o jovem. Ainda segundo Silvia, o segurança agrediu João Victor com um “violento soco na cabeça”.

De acordo com a catadora de material reciclável, após a agressão, o segurança e o gerente do Habib’s pegaram o adolescente pelo braço e tentaram levá-lo novamente para perto da lanchonete. Poucos metros depois, no entanto, João Victor desmaiou e foi deitado no chão pelos funcionários do fast-food. Quando se aproximou do adolescente, Silvia disse que ele estava “inconsciente” e “com a boca espumando”.

Com a chegada da Polícia Militar ao local, Silvia se dirigiu aos policiais para contar o que havia visto. Os militares, no entanto, disseram que ela não poderia ser testemunha “pois era noia”. Ela não foi levada à delegacia e só prestou depoimento porque foi voluntariamente ao 28º DP, onde o caso é investigado.

O coordenador da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente do Condepe, Ariel de Castro Alves, disse que “se os PMs tivessem levado a testemunha para a delegacia no dia e ela fizesse o reconhecimento, os agressores poderiam ter sido presos em flagrante”.

Outro agravante do caso, de acordo com Alves, é a demora para o início das investigações. “Os fatos ocorreram às 19h de domingo. O registro ocorreu apenas às 4h da manhã de segunda-feira. E as investigações se iniciaram só hoje [quarta-feira]”.

O coordenador ainda disse que as apurações de casos de homicídios não podem ficar paradas por causa de feriados. “Já deu tempo do Habib’s sumir com as imagens, ou editá-las”, contou.

Outro lado

Em nota, o Habib’s informou que “continua apurando os fatos da lamentável ocorrência”. A rede disse que considera as informações relatadas por seus funcionários que presenciaram o fato e os relatos registrados no Boletim de Ocorrência.

A assessoria de imprensa do Habib’s ainda disse, na nota, que acionou a polícia “assim que verificaram que a conduta do menor estava incontrolável, ameaçando o patrimônio físico da loja e dos clientes”.

“Diante do estado do jovem, imediatamente, também o resgate foi acionado. E todas as orientações, por ele passadas, foram seguidas para garantir o devido socorro ao jovem, que, infelizmente, veio a falecer a caminho do hospital”, disse a nota.

O Habib’s ainda contou que “vai cooperar com as investigações, se empenhando em esclarecer todos os detalhes do ocorrido com prioridade”.

A assessoria de imprensa da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), comandada pela empresa privada CDN Comunicação, informou que a ocorrência está sendo investigada pelo 28º DP, por meio de Inquérito Policial. A assessoria ainda informou que o caso foi registrado no 13º DP como morte suspeita, e que a polícia aguarda resultado dos laudos para confirmar a causa da morte.






Fonte: Carta Capital, por Kaique Dalapola






Nenhum comentário

Aviso: Os comentários serão moderados...

Tecnologia do Blogger.