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FHC defende Aécio e acusa imprensa de prestar 'mau serviço ao país'


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou nota na tarde desta sexta-feira (3) na qual defende o senador Aécio Neves (PSDB-MG), diz que o mineiro não pediu recursos ilegais e acusa a imprensa, de ter sido "usada por quem não é criterioso", prestando, dessa forma, "um mau serviço ao país".

No texto, FHC diz que se criou uma "notícia alternativa" com a difusão da tese de que Aécio pediu recursos de caixa dois para a campanha eleitoral. "O senador não fez tal pedido", ressalta FHC. Mais adiante, porém, ele diz que "há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois" e quem "obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção".

A nota de FHC fala sobre a divulgação de que, em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), um dos executivos da Odebrecht afirmou que a empreiteira deu R$ 9 milhões em caixa dois ao PSDB. Segundo o delator, os recursos foram liberados após um pedido de Aécio.

"Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem 'noticias alternativas' para confundir a opinião pública", diz FHC no início da nota. "A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país."

Para o ex-presidente, o noticiário foi distorcido. "Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados. O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE", afirma Fernando Henrique.

O ex-presidente, aliado de Aécio e presidente de honra do PSDB diz que "é preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa" e que "independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la".

"Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas", ressalta FHC.

"Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção. Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais", concluiu.

Leia abaixo a íntegra da nota do ex-presidente

Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem "noticias alternativas" para confundir a opinião pública.

A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país.

Parte do noticiário de hoje sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta. Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.

O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE.

É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa.

Ademais, independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la.

Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.

No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas. Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção.

Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais.

A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando.

A desmoralização de pessoas a partir de "verdades alternativas" é injusta e não serve ao país. Confunde tudo e todos.

É hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.

Fernando Henrique Cardoso

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