Chefe de cozinha: Chefs homens são maioria nos restaurantes, mulheres preferem coordenar eventos e bufês

Chefs homens são maioria nos restaurantes Nos cursos, oposto ao mercado de trabalho, o número de homens e mulheres é equilibrado


Por que a maioria dos chefs de cozinha é do sexo masculino, formando um verdadeiro “clube do Bolinha”? Qual a razão disso?

Apesar de ser senso comum, nem o próprio sindicato da categoria sabe estimar o número de homens que enfrentam a cozinha profissionalmente. Nem os próprios profissionais sabem explicar o porquê desse quadro. Eles acreditam que homens e mulheres têm diferenças físicas, culturais e também metas distintas no que diz respeito à cozinha.

Para Dário Morassi, chef do restaurante São Francisco, o mercado não é machista. Segundo ele, as mulheres têm procurado outras funções na área gastronômica, e não necessariamente as panelas. “Elas procuram cada vez mais cargos de liderança de equipes. Além disso, hoje em dia, a maioria delas não quer mais entrar numa cozinha e pilotar um fogão.”

Dário acredita também que o trabalho é pesado, e que atividades como segurar um tacho se tornam muito mais fáceis para os homens, que têm preferido encarar os trabalhos mais árduos da gastronomia.

Natália Barbosa, chef do Filé & Cia., também acredita que é o trabalho pesado o que afasta as mulheres do cargo de chefs de cozinha. “Que mulher não gosta de se cuidar, de fazer as unhas? Eu, por exemplo, tenho várias marcas de queimaduras. A maioria das mulheres não quer isso.”

Ela destacou que as mulheres, de fato, têm preferido se formar na área para coordenar eventos e bufês, e não necessariamente na execução dos pratos. Segundo Natália, dos alunos que se formaram com ela, são muito poucos os que trabalham como chefs mesmo, e quase todos são homens.

Dário recebe muitos alunos que buscam oportunidades de estágio, para “colocar a mão na massa”. Entre esses alunos  que pretendem se tornar chefs, há de fato muito mais homens do que mulheres. “Eles sempre foram maioria. Pelo que eu vejo, o número de mulheres chefs vem diminuindo em vez de aumentar.”

O professor e chef Marcelo Bergamo, da Metodista, discorda um pouco dessa visão. De acordo com ele, são muitas as mulheres que têm assumido grandes restaurantes e cozinhas, e elas têm se destacado.

Para Bergamo, o cenário com comando tipicamente masculino desses ambientes já não é mais o mesmo.  “Essa era uma área muito machista, sim. Mas isso está mudando, e bem rápido.”

Nos cursos profissionalizantes e de graduação, por exemplo, o número de homens é equivalente ao de mulheres. Em muitos casos, elas são até mesmo a maioria, principalmente em cursos para aprender a cozinhar.


*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo





FONTE: NATALIA GENTIL
Especial para o Rudge Ramos Jornal*



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