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Câmara de Campina e Assembleia Legislativa vão homenagear o saudoso Raymundo Asfora, assassinado misteriosamente


Nesta segunda-feira faz exatamente 30 anos da morte do saudoso poeta e ex-vice prefeito de Campina Grande, Raymundo Asfora, pai do ex-deputado estadual, Gilbran Asfora foi encontrado morto em sua fazenda em Bodocongó, em 1987, mas não se sabe verdadeiramente a causa da sua morte.

Para homenagear a memória de Raymundo Asfora, por iniciativas do Deputado Bruno Cunha Lima e do Vereador Lula Cabral, á Assembleia Legislativa e Câmara de Vereadores vai promover uma sessão solene, próximo dia 10, sexta feira, às 10 horas, na FIEP em Campina Grande, relembrando o saudo mestre Raymundo Asfora.

Biografia

Filho de Elias Hissa Asfora e Orminda Yasbeck Asfora, também era neto de uma libanesa e de um sírio. Com dois anos de idade, mudou-se com a família para o Recife, onde, junto com seus irmãos José e Francisco, fizeram o curso primário no Colégio Marista. Ainda na infância, foi para Campina Grande, cidade onde iniciou sua trajetória pública, atuando em grêmios estudantis, a favor de causas defendidas por estudantes secundaristas.

De volta ao Recife, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, concluindo o curso em 1954. Durante sua fase como estudante universitário, participou, em suas idas a Campina Grande, de vários fins sociais, criando com o colega e amigo Félix de Souza Araújo a Casa do Estudante de Campina Grande. Antes, em 1952, foi nomeado secretário de ação social da administração de Plínio Lemos. Suas atuações o credenciaram à disputa das eleições de 1955, se elegendo vereador pelo PTB com 1.080 votos, permanecendo no cargo até 1959.

Em 1958, foi eleito deputado estadual pelo PSB, e durante seu mandato um projeto de sua autoria fez com que a Assembleia Legislativa da Paraíba ganhasse o nome oficial "Casa Presidente Epitácio Pessoa". Nos anos 60, foi assessor do ministro João Agripino durante o governo de João Goulart, procurador da Fazenda Estadual em 1962, e dois anos depois, assumiu cargo de suplente na Câmara dos Deputados.

Em 1976, Asfora é eleito vice-prefeito de Campina Grande no pleito que elegeu Enivaldo Ribeiro para a prefeitura municipal, pela ARENA. Seis anos depois, elege-se deputado federal pelo PMDB, com 40.495 votos. Pelo mesmo partido, é definida a chapa que teria Tarcísio Burity como candidato a governador e Asfora como vice. Burity foi eleito com 755.625 votos, mas, ao contrário do governador eleito, Asfora não chegou a tomar posse.

Morte

A morte de Raymundo Asfora até hoje segue como mistério a ser interpretada. Em 6 de março de 1987, Asfora é encontrado morto na Granja Uirapuru, no bairro de Bodocongó, aos 56 anos. Na época, foi noticiado que ele havia cometido suicídio, logo desmentido - o ex-deputado e advogado havia sido assassinado. Casado por duas vezes, deixou sete filhos.

Em março de 2013, os réus do caso Asfora, Marcelo da Silva e Gilvanete Vidal, foram absolvidos em julgamento na tarde desta quinta-feira (21), em Campina Grande. A sessão concluiu que o ex-vice-governador da Paraíba Raymundo Asfora foi, de fato, assassinado. Porém, a maioria dos jurados, não considerou que os acusados foram os autores do crime.

Em depoimento no dia 21 de março de 2013, no Tribunal do Júri de Campina Grande, os réus do 'Caso Asfora', o fotógrafo Marcelo da Silva, 68, e a viúva Gilvanete Vidal, 60, negaram a autoria do homicídio e defenderam a tese de suicídio do ex-vice-Governador da Paraíba, Raymundo Asfora. O político foi encontrado morto em sua granja na zona rural do município em 6 de março de 1987.

 O fotógrafo Marcelo, à época motorista de Asfora, afirmou que nunca cometeria o crime. "Jamais mataria Raymundo. Meu nome surgiu porque o caseiro foi coagido pela ´Polícia Civil, ele disse isso à Polícia Federal depois, que os policiais levaram ele para um matagal, deram tiros para o alto e disseram que ele só saia de lá se desse um nome. Nesse dia eu só soube da morte à tarde, quando cheguei lá o corpo já tinha sido removido. Eu acredito que ele cometeu suicídio, já presenciei ele tentar suicídio quando separou-se da primeira esposa", disse.

A defesa dos réus concordou com o homicídio. "Apesar de confirmado o homicídio, a materialidade da autoria não foi comprovada. Houve a anuência do Ministério Público, que atuou como fiscal da lei, conforme as provas dos autos. Agiu como um defensor da sociedade e o que a sociedade quer é justiça", afirmou o advogado de defesa Raimundo Licarião.

O fotógrafo Marcelo da Silva afirmou estar aliviado com a sentença. "Esses 26 anos foram um martírio. Espero agora conseguir retomar minha vida". Na época, a viúva Gilvanete Vidal preferiu não falar sobre o desfecho do julgamento.

Evidência de última hora

Uma transcrição realizada pela Polícia Federal, a partir da gravação de diálogos que teriam acontecido na residência de Omar Asfora, filho de Raymundo Asfora, foi trazida à tona na quinta-feira (21) de março de 2013. O promotor Osvaldo Lopes Barbosa relatou aos jurados uma conversa presente nos autos, decupada e transcrita sob determinação do ex-superintendente regional da Polícia Federal na Paraíba, Gustavo Gominho.

 A conversa, segundo o Ministério Público, não foi investigada por se tratar de uma gravação ilegal, sem autorização judicial. No diálogo que segue, um então delegado comissionado de Conceição do Piancó, no Sertão paraibano, conta ao filho de Asfora e amigos, durante uma festa, que "sabia de todo o complô para matar Asfora, a mando de gente do alto escalão, mas não podia fazer nada porque senão morria também". Segundo a gravação, dois policiais militares seriam responsáveis pelo assassinato, um deles tendo atirado e outro 'segurado' o corpo da vítima.

O promotor defendeu ainda a condenação dos acusados, Marcelo da Silva e Gilvanete Vidal, com base no depoimento constando nos autos em que o primeiro teria sido autor do homicídio, juntamente com o caseiro João da Costa, já morto, a mando da viúva Gilvanete.

O fotógrafo Marcelo, à época motorista de Asfora, afirmou que nunca cometeria o crime. "Jamais mataria Raymundo. Meu nome surgiu porque o caseiro foi coagido pela Polícia Civil, ele disse isso à Polícia Federal depois, que os policiais levaram ele para um matagal, deram tiros para o alto e disseram que ele só saia de lá se desse um nome. Nesse dia eu só soube da morte à tarde, quando cheguei lá o corpo já tinha sido removido. Eu acredito que ele cometeu suicídio, já presenciei ele tentar suicídio quando separou-se da primeira esposa", disse.

 A viúva manteve a mesma versão dos fatos. "Não é verdade que fui mandante, não sei o motivo da acusação. Em tempo algum traí Raymundo Asfora, tenho a consciência tranquila. Nosso relacionamento não estava bem, quando ele bebia ficava agressivo, irreconhecível e depressivo. Bebia muito. Nunca me bateu, mas me agrediu verbalmente. Nunca ouvi que ele foi perseguido, comentou-se nomes de vários políticos que queriam ele morto à época, mas nunca me disseram nada. Não acredito que ele tenha sido assassinado", afirmou.

O julgamento

 O Tribunal de Justiça da Paraíba havia anulado o primeiro julgamento, determinando que os acusados fossem levados a um novo júri popular. Naquela oportunidade, o Conselho de Sentença havia absolvido os réus, com base na tese de suicídio. O Ministério Público recorreu, com o argumento de decisão ter sido contrária à prova dos autos, já que existe uma perícia técnica que aponta para um possível homicídio.

Hoje completa 30 anos da morte de Asfora e a Paraíba pergunta: Quem matou, ou que mandou matar Raymundo Asfora?

Um grande poeta

Foi considerado, pelos violeiros do Nordeste, como um dos melhores criadores de motes para serem glosados. Em março de 1982, na Semana Santa, referindo-se ao Cristo, deu ao Jornalista e poeta do Jornal Estado do Ceará, o mote que correu, na época, o Brasil: “A morte está enganada. Eu vou viver depois dela”. Outro mote importante, de sua autoria: “Há um pomar escondido/…..no coração da semente.” A famosa música, "Tropeiros da Borborema", interpretada por Luiz Gonzaga e considerada hino extraoficial de Campina Grande, é de autoria de Asfora, que compôs juntamente com seu amigo Rosil Cavalcanti.

Tropeiros da Borborema
Por Raymundo Asfora

Estala relho marvado
Recordar hoje é meu tema
Quero é rever os antigos tropeiros da Borborema
São tropas de burros que vêm do sertão
Trazendo seus fardos de pele e algodão
O passo moroso só a fome galopa
Pois tudo atropela os passos da tropa
O duro chicote cortando seus lombos
Os cascos feridos nas pedras aos tombos
A sede e a poeira o sol que desaba
Rolando caminho que nunca se acaba
Estala relho marvado
Embora a burrama gema
Quero é rever os antigos tropeiros da Borborema
Assim caminhavam as tropas cansadas
E os bravos tropeiros buscando pousada
Nos ranchos e aguadas dos tempos de outrora
Saindo mais cedo que a barra da aurora
Em busca da terra que tanto se expande
E se hoje se chama de Campina Grande
Foi grande por eles que foram os primeiros
Ó tropas de burros, ó velhos tropeiros.



Com informações do portal, Raymundo Asfora - Oficial, portal G1.




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