Maioria nos EUA ainda se opõe a ataque à Síria, diz pesquisa


ANDY SULLIVAN
DA REUTERS, EM WASHINGTON

A maioria dos norte-americanos continua a não querer intervenção na guerra civil da Síria, ainda que o apoio a essa forma de ação tenha crescido desde o suposto ataque com armas químicas perto de Damasco na semana passada, de acordo com uma nova pesquisa Reuters/Ipsos.

A pesquisa deixou claro o quanto o presidente Barack Obama terá de se esforçar para conquistar apoio a uma ação militar, da parte de um público cansado de guerra, enquanto ele defende o argumento de que o presidente sírio Bashar Assad deveria ser responsabilizado pelo ataque que, segundo os Estados Unidos, matou mais de 1,4 mil pessoas.

Cerca de 53% dos entrevistados na pesquisa desta semana disseram que os Estados Unidos deveriam ficar fora da guerra civil da Síria, ante 60% na semana passada. Apenas 20% disseram que os Estados Unidos deveriam agir, ante 9% na semana passada.

Quando perguntados se os Estados Unidos deveriam intervir caso o governo de Assad tenha usado armas químicas contra civis, 29% dos norte-americanos responderam que sim - ante 25% na semana passada --enquanto 44% se opõem à intervenção mesmo que armas químicas tenham sido usadas, ante 46% na semana passada.

O apoio ao envolvimento norte-americano não deve subir muito mais antes de uma possível ação militar, porque a maioria dos norte-americanos agora está plenamente ciente da situação na Síria e provavelmente já firmou opinião a respeito, diz Julia Clark, especialista em pesquisas da Ipsos.

A pesquisa online Reuters/Ipsos com 708 norte-americanos adultos foi conduzida entre a segunda e a sexta-feira desta semana. Seu intervalo de confiabilidade, semelhante à margem de erro de uma pesquisa eleitoral, é de mais ou menos 4,2% para cada resultado.
O governo Obama deixou claro que punirá Assad pelo ataque, ainda que até mesmo aliados importantes como o Reino Unido tenham resistido a participar de qualquer operação militar.
Mas muitos norte-americanos continuam fortemente relutantes quanto a envolvimento em novos conflitos depois de mais de uma década de guerras dispendiosas e inconclusas no Iraque e Afeganistão.

"A cada vez que nos envolvemos nas confusões alheias, nos endividamos cada vez mais e coisa alguma acontece. Eles continuam sendo exatamente como foram nos últimos 200 anos", disse Dolly Benson, 71, de Romance, Arkansas.

O governo Obama afirma que qualquer ataque teria escopo limitado e não se assemelharia em nada às invasões do Afeganistão ou Iraque pelos Estados Unidos.

"Sabemos, depois de uma década de conflitos, que o povo norte-americano está cansado de guerra. Acredite, eu também estou", disse o secretário de Estado John Kerry na sexta-feira. "Mas a fadiga não nos exime de nossas responsabilidades. Ansiar pela paz não bastará para produzi-la".

A pesquisa foi realizada antes que Kerry divulgasse, na sexta-feira, um relatório não sigiloso de inteligência que segundo ele oferecia provas detalhadas de que as forças de Assad eram responsáveis pelo ataque.

As pessoas pesquisadas demonstravam maior propensão a apoiar uma ação quando respondiam a perguntas específicas sobre armas químicas, que estão proibidas sob um tratado internacional. Obama fez do combate à difusão das armas químicas, nucleares e outros métodos de destruição em massa um dos pilares de sua política externa.

Mesmo as pessoas que apoiam a intervenção norte-americana se declararam preocupadas com a possibilidade de que uma ação militar inflamasse ainda mais a instável região e expusesse os Estados Unidos e seus aliados a uma série de riscos, entre os quais o de retaliação pela Síria ou seus aliados.

"É um caminho perigoso, e precisamos andar com cuidado", disse Baruch Jabbarr, 60, de Brooklyn, Nova York. "Mas apoio completamente a intervenção, porque é preciso fazer alguma coisa".
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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