O Satanás da Favela

Autor: José Martins de Paiva




Nascer na miséria crescer na favela
É perigoso demais.
Sou um fruto da miséria,
Sou uma vitima que anela,
Uma condição melhor.



Não tem comida em minha casa,
Não tem água para beber.
Deito no chão e durmo,
Sem saber o que fazer.
Pergunto ao Deus do céu:
Qual será o meu papel,
Na terra que até cego ver.



Subir ladeira, descer ladeira,
Isso para nós já é normal.
O que para nós é anormal,
É sermos chamados de ladrão,
Bandido, marginal,
Satanás, bicho do cão!

 

Só que o verdadeiro ladrão
Usa o radio e a televisão
Para enganar o povo.
Promete tudo, e não faz nada,
A única coisa que faz
É roubar a consciência do pobre
Favorecendo a grandeza do nobre.



Até parece que a favela é a porta do inferno
E os seus moradores
São os demônios do inferno favelado.
Porque os anjos aburguesados
Tem medo de olhar pra gente?
Passa por nós e range os dentes,
Esconde a bolsa, baixa o vidro do carro.  
Depois precisa dos demônios,
Para poder chegar ao Poder.

 

Quando chega a eleição
O satanás da favela
Vira um cidadão normal.
Aquele que tinha medo
Do satanás marginal
Agora não prega mais
Que na favela reina o mal.




Porque o inferno de fogo
Quando é época de eleição
Vira um céu eleitoral?
Quando é para favorecer o céu
Os demônios viram anjos
E os anjos viram demônios,
Só que o céu não deixa de ser céu
E o inferno não deixa de ser
O que sempre foi
O berço da descriminação.   

          
Poema do gari 
Martins da Cachoeira
 































José Martins de Paiva

Um comentário:

  1. Um poema de tom sério, crítico e verdadeiro. É a realidade do meu país, nosso país brasileiro.

    (Halef Narciso)

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