4 de dez de 2016

Marketing do arrependimento

Por Bernardo Mello Franco


"Desculpe, a Odebrecht errou". Assim começa o anúncio de duas páginas que a maior empreiteira do país publicou nos jornais de sexta-feira (2). Na propaganda, a empresa "reconhece que participou de práticas impróprias".

"Não importa se cedemos a pressões externas", prossegue o texto, insinuando que os empresários corruptores foram forçados a financiar os políticos corruptos. "Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética", continua o comunicado.

O discurso pode sugerir arrependimento, mas é apenas marketing. Há um ano e meio, a mesma empresa manifestava "indignação com as ordens de prisão de cinco de seus executivos". "A Odebrecht nega ter participado de qualquer cartel", dizia a peça publicitária de junho de 2015.

Entre as duas propagandas, publicadas em formato idêntico, o que mudou foi o contexto. A construtora esperava se safar de bico calado, mas foi atropelada por um caminhão de provas e teve que negociar um acordo de delação com a Lava Jato.

As investigações revelaram que a empresa mantinha um departamento exclusivo para o pagamento de propina. Suas planilhas ligam valores milionários a mais de 300 políticos de todos os grandes partidos.

Um pedido de desculpas pode ser melhor do que nenhum, mas seria melhor se a Odebrecht, em vez de posar de Madalena arrependida, fosse direto ao ponto. Num comunicado objetivo, poderia dizer quem subornou, quanto pagou e que obras fraudou, embolsando dinheiro público.

O anúncio desta sexta ainda ilude os leitores ao sugerir que os malfeitos recentes destoaram do histórico de "princípios" da empresa. Velha freguesa do noticiário de corrupção, a Odebrecht deve sua força à ditadura militar.

Apoiada pelo regime, saltou do 19º lugar para o topo do ranking do setor. Numa curiosa coincidência, a escalada começou com a construção do edifício-sede da Petrobras.



Folha de S. Paulo



Paraíba tem manifestações a favor da Lava Jato neste domingo



Manifestantes a favor da Operação Lava Jato e contra a corrupção vão se reunir na manhã deste domingo (4) em pelo menos três municípios da Paraíba: João Pessoa, Areia e Montadas. O evento acontece de forma integrada em cerca de 210 cidades do país e também do exterior.

O ato é promovido pelo movimento Vem Pra Rua e a concentração em João Pessoa tem início às 9h, no Busto de Tamandaré. Em montadas o protesto acontece na Praça Josefa Tavares, às 14h. Já em Areia o evento está previsto para começar às 15h, na Praça João Pessoa, no Centro.

Além de darem apoio a Lava Jato, os manifestantes prometem protestar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros e pelo fim do foro privilegiado e de regalias dos poderes.




Blog do Gordinho.

Garotinho abre a boca e entrega Lula e sua amante, ‘foram 25 milhões de euros para Europa’


Na nota anterior dei a pista sobre a existência de uma conta na cidade do Porto (Portugal), na agência central do Banco Espírito Santo, onde foram depositados no 25 milhões de euros. Imediatamente comecei a receber muitas ligações de jornalistas pedindo mais informações a respeito do assunto. Recorri à minha fonte que me deu mais detalhes esclarecedores de como tudo teria ocorrido. Vocês vão cair para trás.

Como já foi tornado público, Rosemary era portadora de passaporte diplomático, mas o que não foi revelado é que ela também era portadora autorização para transportar mala diplomática, livre de inspeção em qualquer alfândega do mundo, de acordo com a Convenção de Viena. Para quem não sabe esclareço que o termo “mala diplomática” não se refere especificamente a uma mala, pode ser um caixote ou outro volume.

Segundo a informação que recebi, Rosemary acompanhou Lula numa viagem a Portugal. Ao desembarcar foi obrigada a informar se a mala diplomática continha valores em espécie, o que é obrigatório pela legislação da Zona do Euro, mesmo que o volume não possa ser aberto.

Pasmem, Rose declarou então que havia na mala diplomática 25 milhões de euros. Ao ouvir o montante que estava na mala diplomática, por medida de segurança, as autoridades alfandegárias portuguesas resolveram sugerir que ela contratasse um carro-forte para o transporte.

A requisição do carro-forte está na declaração de desembarque da passageira Rosemary Noronha, e a quantia em dinheiro transportada em solo português registrada na alfândega da cidade do Porto, que exige uma declaração de bagagem de acordo com as leis internacionais. Está tudo nos arquivos da alfândega do Porto.

A agência central do Banco Espírito Santo na cidade do Porto já foi sondada sobre o assunto, mas a lei de sigilo bancário impede que seja dada qualquer informação. Porém a empresa que presta serviço de carros para transporte de valores também exige o pagamento por parte do depositário de um seguro de valores, devidamente identificado o beneficiário e o responsável pelo transporte do dinheiro.

Na apólice do seguro feito no Porto está escrito: “Responsável pelo transporte: Rosemary Noronha”. E o beneficiário, o felizardo dono dos 25 milhões de euros, alguém imagina quem é? Será que ele não sabia? A coisa foi tão primária que até eu fico em dúvida se é possível tanta burrice.

Esses documentos estão arquivados na alfândega do aeroporto internacional Francisco Sá Carneiro, na cidade do Porto. O dinheiro está protegido pelo sigilo bancário, mas os demais documentos não são bancários, logo não estão sujeitos a sigilo. A apólice para transportar o dinheiro para o Banco Espírito Santo é pública, e basta que as autoridades do Ministério Público ou da Polícia Federal solicitem às autoridades portuguesas.

Este fato gravíssimo já é do conhecimento da alta cúpula do governo federal em Brasília, inclusive do ministro da Justiça. Agora as providências só precisam ser adotadas. É uma bomba de muitos megatons, que faz o Mensalão parecer bombinha de festa junina.

Em tempo: Pelo câmbio de sexta-feira, 25 milhões de euros correspondem a R$ 68 milhões.



Show de Dicas

Comissão discute na terça-feira a revisão de medidas socioeducativas aplicadas a menor infrator


A comissão especial que discute a revisão das medidas socioeducativas aplicadas a menores infratores ouve na terça-feira (6) integrantes do Poder Judiciário e da área de serviço social sobre o Projeto de Lei 7197/02.

O substitutivo apresentado ao texto, apresentado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) eleva de três para oito anos o tempo máximo de internação desses jovens. O texto modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA- Lei 8069/90).

Pesquisa divulgada pelo Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), há cerca de um ano, aponta que menores respondem por menos de 10% do total de delitos no país. Nos crimes contra a vida, os menores representam 8% de todas as representações. Os dados têm como base as denúncias apresentadas em 2013 pelo Ministério Público em todo o país.



(Agência Câmara Notícias com Agência Brasil)



Morre o poeta Ferreira Gullar, aos 86 anos

A causa da morte ainda não foi confirmada. O escritor estava internado no Hospital Copa D'Or, na Zona Sul do Rio



O poeta, ensaísta, crítico de arte, dramaturgo, biógrafo, tradutor e memorialista, Ferreira Gullar morreu aos 86 anos, neste domingo (4).

A informação foi confirmada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. A causa da morte ainda nao foi confirmada. O escritor estava internado no Hospital Copa D'Or, na Zona Sul do Rio.

Ferreira Gullar foi, sobretudo, um poeta que participou de todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira. Quarto dos 11 filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart, ele nasceu José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930 em São Luiz, no Maranhão.

Militante do Partido Comunista, exilou-se na década de 1970, durante a ditadura militar, e viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Retornou ao país em 1977 e foi preso por
agentes do Departamento de Polícia Política e Social no dia seguinte ao desembarque, no Rio.

Foi libertado depois de 72 horas de interrogatório graças à intervenção de amigos junto a autoridades do regime. Depois disso, retornou aos poucos às atividades de critico, escritor e jornalista.



Notícia ao minuto



Morador do Guará é notificado por transformar depósito de lixo em praça


Jardineiro Luciano da Silva Torres, 27 anos, recebeu uma notificação para retirar as benfeitorias, pois não tinha autorização da Administração Regional



Jardineiro e estudante de biologia, Luciano decidiu usar os
conhecimentos para plantar diversas espécies em
 frente à sua casa: apoio da vizinhança
Há quase um ano, a realidade de quem mora no conjunto F da QI 10 do Guará se transformou. Antes, a área livre do local abrigava um matagal, umas poucas árvores e um depósito de lixo. Porém, a iniciativa de um morador da região tornou o espaço mais verde e agradável. Por lá, foram plantadas árvores, que dão acerola, limão, carambola, entre outros frutos. O jardineiro Luciano da Silva Torres, 27 anos, responsável pela iniciativa, porém, acabou surpreendido com uma notificação da Administração Regional do Guará. Como não havia comunicado a Administração Regional sobre as benfeitorias, teria de tirar a plantação em um prazo de 36 horas, sob pena de pagar multa. A justificativa do Governo do Distrito Federal, que até vê ações como as de Luciano com bons olhos, é que antes de qualquer intervenção é necessária a autorização das autoridades locais.

Aluno do terceiro período de biologia, Luciano aproveitou os conhecimentos adquiridos e a experiência da profissão para melhorar a cara da região. As primeiras mudas foram plantadas em fevereiro deste ano. Primeiro, começou pelo campo ocupado por entulhos. Recentemente, fez uma horta comunitária, bem em frente à casa dele. Mas ao receber a notificação, na semana passada, quase tudo foi destruído. “O papel pedia para retirar as plantas, e, caso não fosse feito, eu poderia ser multado”, detalhou. O documento teria sido entregue por um servidor, porém o órgão não efetivou o documento, uma vez que não estava assinado pelo administrador local.

No espaço em que, há 10 anos, abrigou um campo de futebol, hoje existem várias árvores, inclusive plantas medicinais, cultivadas pelo jardineiro. “De certa maneira, quis tornar aqui um local melhor e também passar para as pessoas que não devemos deixar tudo nas mãos dos governantes, que podemos fazer algo para o nosso bem-estar”, detalhou. No cuidado diário da área, Luciano, além de plantar as espécies, pulveriza e rega as plantas. “O verde aqui antes era perdido. Faço isso porque gosto. Inclusive, alguns vizinhos têm ajudado bastante. Agora, estou em busca de mais apoio para manter o local. São vários gastos com produtos.”




Correio Braziliense




Silêncio, choro e chuva de emoção: Brasil e mundo dão adeus a guerreiros


Ole, olé, ole, ole, Chape, Chape! Vamos, vamos, Chape! O campeão voltou! Silêncio e emoção. Assim foram recebidos os 50 corpos de vítimas do acidente aéreo que matou parte do elenco da Chapecoense e jornalistas brasileiros na Colômbia. Neste sábado (03), a Arena Condá lotou para homenagear a Chape.
Voltaram para casa, definiram todos por lá, os quais acompanharam a chegada dos corpos das vítimas de longe desde a saída da Colômbia, passando por Manaus e depois finalmente chegando ao aeroporto de Condá, onde receberam honras militares e foram recebidos pelo presidente da república Michel Temer.  A "casa", a Arena Condá, foi o destino final.
A cerimônia foi encerrada com mensagens de jogadores de futebol de todo mundo. Neymar. Juninho Pernambucano, Marcelo Moreno, Mithyue (futsal), Leandro (Coritiba, ex- palmeiras), Everton (Grêmio), Edílson (Grêmio), Roberto Dinamite, Osvaldo  (Flu), Neto, Leo (ex- santos), Keirrison e Ariel falaram.
Depois das mensagens, o encerramento da cerimônia foi marcado por uma volta dos parentes e amigos das vítimas pelo gramado. Todos foram aplaudidos. Os corpos de 16 vítimas (integrantes da comissão técnica, jornalistas e dirigentes) serão enterrados em Chapecó e o restante das pessoas veladas na Arena seguirão para suas cidades de origem. 

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Arena Condá vela vítimas de tragédia com choro, chuva e "o campeão voltou"53 fotos

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Encerramento do velório na Arena CondáImagem: Andre Penner/AP

Torcida faz homenagens e se emociona na Arena Condá

AFP PHOTO / DOUGLAS MAGNO
A torcida chegou ainda antes do amanhecer para aguardar a chegada dos corpos das vítimas para homenagem na Arena Condá e lotou o estádio assim que a Arena foi aberta mesmo sob muita chuva.

Mãe e mulher de Danilo são aplaudidas

Danilo Lavieri/UOL
Letícia, mulher do goleiro Danilo, protagonizou um dos momentos mais emocionantes. Após a cerimônia, foi ao gol onde o marido fez sua última defesa, contra o San Lorenzo (ARG) e que ajudou a colocar a Chape na final da Copa Sul-Americana. Ela levantou a foto do goleiro e todos aplaudiram bastante. Mais cedo, dona Ilaíde Padilha, mãe do goleiro Danilo, emocionou a todos mais uma vez com sua humildade e força. Quando os corpos chegavam em cortejo à Arena Condá e os familiares se posicionavam para recebe-los, Ilaíde foi muito aplaudida pela torcida.

Discursos de autoridades da Chape e da cidade

Diego Vara/REUTERS
Vários discursos foram feitos na Arena Condá durante a cerimônia em homenagem às vítimas. O vice-presidente Ivan Tozzo destacou "que a Chapecoense vai continuar" e agradeceu ao apoio de todos. O prefeito de Capecó, Luciano Buligon, muito emocionado, vestiu a camisa do Atlético Nacional e agradeceu bastante os colombianos pela assistência em um momento tão difícil. "Não é à toa que visto a camisa do atlético Nacional de Medellín. O seu clube fez uma homenagem belíssima a todos nós. O mais brilhante de todos foi a frase que colocaram em sua página na internet: a Chapecoense veio para Medellín com um sonho e voltou como uma lenda".

Autoridades do futebol e do mundo do futebol na Arena Condá

Nelson Almeida/AFP
O presidente Michel Temer; o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo;  o embaixador da Colômbia; o presidente da Fifa Gianni Infantino; o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero; além de ex-jogadores de fora do país como Puyol e Seedorf marcaram presença no estádio para homenagear as vítimas.

Tite vai a Chapecó com missão de "encorajá-los"

Diego Vara/REUTERS
O técnico Tite chegou a Chapecó depois do desembarque dos corpos e entoou uma só mensagem de apoio à Chapecoense. "Quero poder, na medida do possível, amenizar um pouco este sofrimento e encorajá-los. É o mínimo que posso fazer", disse Tite.

Chegada ao aeroporto foi marcada pela emoção das famílias

REUTERS/Paulo Whitaker
Parte das famílias das vítimas foram receber os caixões, que voaram a noite toda em dois aviões Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB), no aeroporto de Chapecó. Assim que as aeronaves pousaram, muita emoção, como se respirassem um pouco mais aliviados por poderem homenagear de perto os seus entes queridos que morreram na Colômbia.

Homenagens no futebol e quebra de protocolo em clássico

Sergio Perez/Reuters
O futebol pelo mundo não parou neste sábado de homenagens à Chapecoense. Por todo o mundo os times internacionais e jogadores mostraram o sentimento de luto. No clássico Barcelona x Real Madrid, os atletas dos dois times rivais quebraram o protocolo e se misturaram para foto oficial atrás de uma placa com os dizeres "Fuerza, Chape" (Força, Chape em espanhol).

Michel Temer decide participar de velório na Arena Condá

DOUGLAS MAGNO/AFP
A princípio o presidente da república Michel Temer participaria apenas da cerimônia de entrega de medalhas às famílias das vítimas no aeroporto e não iria ao velório na Arena Condá. O plano foi mudado e o presidente anunciou que seguiria para o estádio após o desembarque dos caixões. "Não poderia dizer que ia ao estádio ontem porque senão a segurança teria que revistar as pessoas que entram. Só comuniquei que vou lá agora, para facilitar a vida de todos", disse Temer em rápida conversa com os jornalistas.

Jornalistas são velados no Rio, em Florianópolis e em SP

Pedro Ivo Almeida/UOL
Depois de um atraso para a liberação dos corpos de jornalistas da Rede Globo no Rio de Janeiro, corpos dos profissionais chegaram a sede do Botafogo para receberem as últimas homenagens. Florianópolis e São Paulo também receberam vítimas da tragédia. Os seis profissionais do Fox Sports devem ser velados apenas no domingo (04) após o atraso em Manaus, onde o voo fretado precisou pernoitar.

Portal Arara
Fonte : Uol

Senado prioriza o abuso de autoridade e a legalização de cassino


Por Josias de Souza

Por um golpe do destino, três dias depois de Renan Calheiros ter sido enviado ao banco dos réus pelo Supremo Tribunal Federal, o Senado inicia uma semana em que a pauta de votações do plenário inclui duas prioridades tóxicas: o projeto que trata da contenção de abusos de autoridade (pode me chamar de 'Amansa-Lava Jato') e a proposta que legaliza os jogos de azar no Brasil.

Numa evidência de que os senadores desplugaram-se da realidade, quem empina a ideia de arrochar juízes e procuradores que “abusam do poder” é o próprio réu Renan (PMDB-AL), protagonista de 12 processos judiciais no Supremo, oito dos quais relacionados à Lava Jato. E quem patrocina a legalização de cassinos e bingos, com o apoio do réu e a simpatia do Planalto, é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), outro encrencado na Lava Jato.

De acordo com a pauta aprovada por Renan, com a concordância dos líderes partidários e da banda muda do Senado, o abuso de autoridade vai a voto na sessão de terça-feira (6). A legalização da jogatina será votada na quarta (7). Depois os senadores dizem não saber por que as ruas voltaram a roncar.



O abuso das autoridades


Congressistas abusaram e se lambuzaram na agressão à paciência dos cidadãos


Por Dora Kramer

Diante da inversão de valores perpetrada pela Câmara na retaliação da proposta das medidas de combate à corrupção e da tentativa do réu que preside o Senado de votá-la de afogadilho na Casa revisora, é de se perguntar qual é a parte do repúdio social a manobras espúrias que Suas Excelências ainda não entenderam.

Hoje estão marcados protestos cuja motivação mais forte reside nas recentes atitudes do Congresso. A pauta é dispersa, embora o recado da sociedade seja claro: “Não me enganem, porque definitiva e claramente eu não gosto”. Retrato disso foi o contraste entre a animosidade latente contra o juiz Sérgio Moro na Mesa Diretora e a calorosa recepção dada a ele por parte de funcionários do Senado quando do debate, no plenário, sobre a Lei de Abuso de Autoridade.

Na rua, ocorre do mesmo modo. Só que lá o juiz (para além da figura de Moro) é tratado também com apreço e os políticos com menosprezo. O paradoxo é estes dependem de votos para seguir na carreira, mas são aqueles (magistrados, promotores, procuradores e policiais) os que falam o idioma da legalidade, valor finalmente em alta na sociedade brasileira.

Em baixa na opinião do público o Congresso está faz tempo. O dado novo é a manifestação coletiva da condenação aos atos cometidos no ambiente legislativo, justamente o que abriga representantes da população, cujo dever de ofício deveria ser o de zelar pelos interesses dos brasileiros, senhores de seus mandatos.

A Câmara e o Senado vêm de um processo legal e legítimo de impeachment presidencial, mas em nenhuma das duas Casas prepondera a compreensão de que a convergência com a posição da maioria expressa nos protestos contra os governos do PT e confirmada pelas pesquisas de opinião não dá ao Parlamento um salvo-conduto para atuar ao seu bel-prazer sem ser importunado.

Ao contrário: o conjunto de razões pelas quais deputados e senadores afastaram do poder o grupo liderado de direito por Dilma Rousseff e de fato por Luiz Inácio da Silva, os obriga a seguir o padrão de exigência aplicado para sustentar o afastamento. O grupo que assumiu o governo, aí incluídos os congressistas aliados, não pode dar-se ao desfrute de adotar o lema “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. O mesmo aplica-se ao PT que agora de volta à oposição atua como se nada tivesse a ver com o poço fundo em que jogou o País.

Suas Excelências abusaram e se lambuzaram. Aqueles recentemente apeados do poder, no assalto ao Estado. Seus substitutos, na agressão à paciência e à capacidade de discernimento dos cidadãos. À exceção de um e outro exagero – imediatamente apontados ou corrigidos – os responsáveis pelas investigações e condenações em curso até agora se mantiveram nos padrões da lei, conforme atesta o aval dos tribunais superiores à quase totalidade das ações.

Abuso de autoridade pronto e acabado ocorreu no Congresso e, em vários momentos, no Executivo. Ou não é um abuso inverter o espírito das propostas de combate à corrupção para aprovar medidas em defesa de corruptos e de ataque aos encarregados de investigá-los? Ou não se configura um abuso da investidura do cargo o réu que preside o Senado comandar manobra para aprovar a lambança tal como saiu da Câmara de maneira açodada a fim de dar o fato como consumado?

Congressistas falaram de corda em casa de enforcado, acabaram por enrolar os respectivos pescoços ao atiçar a população e alimentar a motivação aos protestos marcados para hoje e tornarem-se alvo principal das manifestações. A depender da amplitude e densidade da grita geral, nossas autoridades legislativas terão dado tiros que saíram pela culatra para se alojar no coração do Parlamento.



O Estado de S. Paulo

PCC Ltda - O Crime como industria


Na madrugada do dia 10 de março de 2016, um dirigente do PCC envia um e-mail para uma de suas subordinadas com o codinome Alexandre Magno. O título da mensagem: "Projeto Estrutural 2016". Entre os anexos, um organograma (confira abaixo) com linhas e setas mostrando cinco diretorias, três núcleos de coordenação e outras dezessete células. Em outro arquivo, a descrição de cada função. Por meio da quebra de sigilo telemático, o e-mail chegou às mãos da Polícia Civil de São Paulo, que se deparou com uma verdadeira estrutura empresarial dentro da facção criminosa. Nas palavras dos investigadores, uma "multinacional do crime" que produz relatórios mensais, faz auditorias e avaliações de desempenho, gerencia seguros para os presos e paga bonificações para premiar os funcionários mais produtivos.

Esse modelo de gestão veio à tona na Operação Ethos, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo há duas semanas, e foi detalhado em um relatório com mais de 1.160 páginas, obtido com exclusividade por VEJA. Por meio de planilhas, e-mails e cartas apanhadas dentro dos presídios, o inquérito mostra a rotina de um ano da chamada célula R (chamada antes de Sintonia das Gravatas), formada essencialmente por advogados. Na última semana, a Justiça de Presidente Venceslau (SP) deferiu a prisão preventiva de 54 alvos da Operação - cinco continuam foragidos. Entre os presos estão Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e o vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Luiz Carlos dos Santos.
Apesar de ser sustentado pelo dinheiro do narcotráfico, a célula R não se ocupa do comércio de drogas ou da morte de desafetos. São advogados de Rua ou Recursistas (daí o R) que ficam à disposição da facção para resolver problemas cotidianos. Entre as principais funções estão pagar propina a autoridades corruptas, infiltrar-se em órgãos de direitos humanos e ser o canal de comunicação entre a liderança encarcerada e os subalternos soltos. Serviços que vão muito além de fazer a defesa jurídica dos criminosos.

O CEO DO PCC

O
desenvolvedor da célula R foi Valdeci Francisco Costa, um bacharel em direito e autor de livros autobiográficos que sempre se manteve longe dos holofotes – geralmente concentrados em Marcola. Após passar uma boa temporada (quase 10 anos) na Penitenciária II de Presidente Venceslau (SP), ganhou a liberdade em maio de 2015. E pisou no asfalto com uma missão — implementar uma "estrutura orgânica de feição empresarial" na facção, conforme o inquérito assinado pelo delegado Éverson Aparecido Contelli. Ele é o Alexandre Magno que mandou o e-mail citado acima. No organograma que ele mesmo fez, autodenominou-se "diretor-presidente". Na linha hierárquica, estava abaixo apenas do Conselho Deliberativo, constituído por Marcola e outros onze bandidos que tomam as decisões finais na quadrilha.

Assim como muitos integrantes, Costa atende por uma infinidade de apelidos. A maioria se refere à sua fama de “crânio” e religioso – Doutor, Notebook, Circuito Integrado, Abraão, José de Arimatéia e dr. Pedro. Numa mensagem interceptada pela polícia no Telegram, um advogado se refere a Costa como alguém "mil grau que não tem comparação o QI dele (sic)".
Apesar de a ter cumprido, sua missão durou pouco. Em junho deste ano, foi preso em uma operação do Gaeco de Campinas e hoje se encontra atrás das grades na Penitenciária de Avaré (SP). No seu lugar, entrou a advogada Juliana Queiroz (ver organograma abaixo), que também foi indiciada na Ethos, mas continua foragida da Justiça.
Na ocasião em que foi detido, o núcleo jurídico do PCC colocou em prática o protocolo fantasma, um serviço de contrainteligência que prevê o descarte de todas as mídias e a troca dos codinomes utilizados. Costa havia criado uma estrutura de células que se autogeriam. Só casos extremos chegavam a ele e, mesmo assim, eram intermediados por duas gestoras, Marcela Antunes e Anna Marques. Quando alguém era pego, a célula se desfazia, impedindo que as autoridades chegassem no topo da rede.
Com a quebra do sigilo telemático das duas intermediárias, a polícia teve acesso a planilhas (ver abaixo) que mostravam a quem se referia cada codinome. Em uma delas, os Rs eram associados a modelos de carro. Exemplo: o R1 (Marcela) correspondia ao Volkswagen Gol. E o R2 (Anna) ao Fiat Palio.
Costa sempre teve a pretensão de constituir uma ONG. Teria sido dele a ideia de eleger dois "irmãos" no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), vinculado à Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. O plano não deu certo e ele se viu obrigado a cooptar alguém de dentro da entidade. O escolhido foi Luiz Carlos dos Santos, que era vice-presidente, mas foi afastado do cargo após confessar que vinha recebendo uma "mesada" (de 5.000 reais) do PCC. Nas planilhas, o conselheiro aparece com o codinome “amigo da portuguesa”.
Em seu depoimento à polícia, Santos relatou que seu trabalho consistia em dar encaminhamento a denúncias formuladas por presos da facção, em sua maioria falsas. Costa lhe cobrava por resultados - e exigia que todas as informações fossem enviadas em relatórios semanais.
Em seus escritos, o diretor-presidente costuma se dizer arrependido do passado criminoso. Foi preso pela primeira vez em 2006, no ano em que o PCC se celebrizou por uma séria de ataques a forças policiais. Na época, era apontado como o encarregado das arrecadações do PCC no interior de São Paulo, em cidades como Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, Marília e Bauru.
"As pessoas não são más, só estão perdidas. E virar as costas ou vingar-se não é a resposta. Na busca de uma solução para o problema da criminalidade, creio que uma visão pode ser substituir a vingança. Estou convencido de que há muito de estreito negativo e errado na atitude da sociedade. Em apenas punir alguém que frequentemente está em guerra consigo mesmo. Infelizmente, a tradição tem efeito de algemar o progresso", escreveu ele no livro de sua autoria chamado Rábula. A polícia apura se a editora que publicou as obras pertence a ele.
Em depoimento à Polícia Civil, Costa negou fazer parte dos quadros do PCC – o mesmo fizeram notáveis integrantes da facção, como Marcola, Antônio José Muller Júnior, o Granada, e Paulo Cesar Souza Nascimento Junior, o Neblina.
D
esde que foi criado, no início dos anos 90, sabe-se que o PCC mantém um estatuto com regras de comportamento a serem seguidas dentro e fora da cadeia. Na operação Ethos, os investigadores descobriram que a quadrilha também tem um sistema de bonificação e aumento gradual de salário para os integrantes da célula R como recompensa pelo “bom trabalho desenvolvido" — quase como um plano de carreira. As diretrizes foram encontradas em uma carta manuscrita e digitalizada (confira abaixo) com o título "Conjunto de Medidas Disciplinares”. Os bônus são pagos em quantias de 1.000 reais.

O texto também institui um sistema de advertências a quem cometer "faltas graves", como não responder telefonemas e e-mails, não entregar relatórios ou "não cumprir tarefas determinadas e pedidos variados feitos pelas gestoras associadas". As punições são definidas por cores: verde ("só um puxão de orelha"); amarelo (“aviso para redobrar a atenção”) e vermelho ("cobrança verbal dura e redução de honorários"). Cada cor definia um prazo de reabilitação de 6 meses, 8 meses e um ano, respectivamente.
Segundo as investigações, os advogados recebiam em torno de 1 milhão de reais por mês e não trabalhavam para clientes específicos, mas para a facção como um todo. Um e-mail recebido por Costa - e anexado ao inquérito – orienta-o a providenciar um R (advogado) para ajudar o guerrilheiro Mauricio Hernandez Norambuena, que cumpre pena pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto em 2002. A proximidade entre Norambuena e o PCC vem de longa data. Foi ele quem ensinou táticas de terrorismo às lideranças da quadrilha, quando estava preso em Presidente Bernardes (SP), em 2006. "Nessa relação não há qualquer tipo de vínculo advogado cliente, mas sim uma relação entre advogado e organização criminosa, que recebe dinheiro proveniente do narcotráfico para atender a pessoas vinculadas ou colaboradoras da organização criminosa", diz o inquérito.
A implantação dos bloqueadores de celular nos presídios paulistas obrigou a cúpula do PCC a encontrar novas formas de comunicação com o "mundo externo". Uma delas era usar os advogados da célula R, que por meio da carteira da OAB tinham acesso fácil aos presídios e ainda contavam com o sigilo garantido à profissão. A polícia chegou a monitorar um desses momentos. Numa mensagem, um detento transmite ordens a uma das gestoras dos Rs, Anna Marques, para que levante informações sobre agentes penitenciários de Cornélio Procópio, no Paraná. O recado é datado de 17 de novembro de 2016. A suspeita é que os dados seriam usados para uma eventual execução ou para fazer ameaças. "O evento instruiu relatório de inteligência para adoção de cautelas necessárias para preservação da vida desses agentes", diz o inquérito.
Os advogados R também tinham o papel de atender às demandas dos chefões da facção e de seus familiares. Em especial, marcavam consultas médicas e procedimentos cirúrgicos para eles. Em depoimento à Polícia, o próprio Marcola diz que contatou a advogada Simone, um dos alvos da Ethos, para arranjar um médico que lhe operasse o ombro - o procedimento teria custado 27.000 reais.
Com as células em ação e organizadas, o PCC começou a pensar longe. Um dos planos era protocolar uma série de denúncias de abusos na cadeia, a maioria sem fundamento, na Organização das Nações Unidas (ONU). A finalidade era conseguir benefícios no sistema penitenciário e o fechamento do presídio de Presidente Bernardes (SP), onde os presos ficam isolados no Regime Displicinar Diferenciado (RDD). O ex-conselheiro do Condepe, Luiz Carlos dos Santos, confirmou em seu depoimento o “projeto internacional” do PCC. “Estava em curso o plano que poderia constituir, na prática, uma grande denunciação caluniosa internacional, em evidente prejuízo político e econômico ao Estado brasileiro”, diz o inquérito.
Os próximos passos da Operação Ethos se concentrarão em detectar se o PCC conseguiu replicar o modelo de gestão em células de outros Estados. Há indícios de que o mesmo esquema foi implementado em Santa Catarina e Mato Grosso. "O know how obtido pela célula “R” no Estado de São Paulo fez com que o Conselho Deliberativo [a facção] passasse a exportar esse modo de agir para outros Estados da federação, principalmente naqueles Estados sedes de presídios federais”, conclui o delegado Contelli, no texto.
Veja

Fim do e-Sedex pode fazer frete de e-commerce subir 30%



Apesar de os comentários sobre o fim do e-Sedex circularem há mais de um ano, a notícia, anunciada nesta semana, de que os Correios vão extinguir o serviço a partir de 1º de janeiro pegou o e-commerce de surpresa. O e-Sedex é considerado a principal alternativa para entrega rápida de encomendas no varejo online.

Usado por pequenos e médios e-commerces desde que foi criado, há 16 anos, o serviço utiliza a mesma estrutura de entregas expressas comuns, mas custa entre 20% e 30% menos do que o Sedex tradicional. Os grandes varejistas, por fazerem um grande volume de entregas diárias, costumam contratar empresas privadas de entregas.

“Recebemos o anúncio como uma notícia muito ruim”, disse o presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), Maurício Salvador. “Trará um aumento de preços imediato no frete e uma redução da qualidade. Quem vai pagar essa conta com os varejistas será o consumidor final.”

Para Leandro Bassoi, diretor de logística do Mercado Livre, a medida deve levar a uma concentração de mercado, reduzindo o espaço dos pequenos sites. “Hoje, sem uma média de cem entregas por dia, você não consegue ter acesso a uma transportadora privada. O fim do e-Sedex prejudica muito os pequenos e médios empreendedores.”

Correios

Procurados, os Correios não comentaram o fim do serviço. Fontes de mercado, no entanto, afirmam que a estratégia é parte do plano para reverter os prejuízos da estatal, que devem ser de 2 bilhões de reais neste ano; em 2015, as perdas foram de 2,1 bilhões de reais.

Segundo estimativas da ABComm, o preço do frete representa de 6% a 12% do valor pago de um produto adquirido pela web. Quanto menor é a loja virtual, maior o peso do custo da entrega. Sem volume para negociar o frete com transportadoras, o preço pago pelos pequenos empresários é parecido com o cobrado das pessoas físicas.

Há quem defenda, porém, que a baixa participação das empresas privadas de transporte – elas são 35.000 apenas em São Paulo – no e-commerce reflete uma vantagem competitiva dos Correios que prejudica o restante do setor. “Os Correios têm o monopólio para entrega de cartas e correspondências. Mas fazem uma interpretação jurídica disso para avançar também sobre as entregas expressas”, disse Paulo Furquim, coordenador do Centro de Estratégia e Pesquisas do Insper.



(Com Estadão Conteúdo)
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